Editorial

Editorial: Uma escola segura, um país em teste

Editorial: Uma escola segura, um país em teste

Portugal enfrenta, a partir de amanhã, um novo período de confinamento numa fase determinante do combate à pandemia. É um passo no sentido inverso ao que todos desejaríamos, mas é um passo necessário.

O único possível num contexto tão adverso quanto o que hoje enfrentamos. Apenas o confinamento tem provado ser eficaz na mitigação do número de contágios, de mortes e no alívio da pressão sobre os serviços de saúde. Mas se este regresso a março é um sinal da nossa derrota coletiva, é também por isso que temos de ter presente que só em conjunto podemos travar esta escalada. Não adianta apontarmos o dedo aos outros se não fizermos a nossa parte.

As escolas são a maior exceção entre várias criadas em comparação com o primeiro confinamento. E aqui há que sublinhar a coragem demonstrada pelo Governo, e sobretudo pelo primeiro-ministro, em assumir este risco tremendo, mesmo contra a opinião de vários académicos e cientistas. A primeira clausura do país provou-nos que as aulas à distância estão longe de ser uma solução socialmente integradora e geradora de resultados. Afastar as crianças da escola, sobretudo as mais desfavorecidas, é afastá-las das oportunidades, do conhecimento, de uma cidadania plena. É afastá-las do futuro.

Mas esta decisão, sendo um sinal claro da importância da educação no modelo de desenvolvimento do país, tem agora de ser acompanhada de medidas coerentes e exigentes. A aposta em testes rápidos pode ajudar a identificar e a prevenir surtos, mas o esforço que se pede a toda a comunidade educativa é muitíssimo maior. Se alguma coisa correr mal, serão muitos a fazer das aulas presenciais um bode expiatório dos maus resultados. A escola tem, por isso, de ser realmente segura. Para continuar a cumprir a sua missão primordial. Haverá novamente injustiças no deve e haver das restrições. O equilíbrio nunca é fácil de fazer. Poderemos ir à missa mas não poderemos ir a um espetáculo. E a cultura é precisamente um dos setores massacrados, quando já está de rastos. Perceber o que resiste e reabre depois deste novo confinamento é outro enorme desafio: um mês de Portugal parado será um mês a mais no pesadelo económico e social que varreu o país nos passados dez meses. O Estado volta a desempenhar um papel fundamental no sentido de acautelar as carências das empresas e dos trabalhadores, amparando-lhes o choque da melhor forma possível.

Os sinais para os cidadãos e empresas foram dados com multas pesadas e promessas de fiscalização sem tréguas às falhas no teletrabalho. Mas cabe ao Governo a missão de assegurar apoios que acompanhem o esforço social e económico pedido a todos. Está prometido para hoje o anúncio de novas medidas para a economia, cultura e setor social. Dessas garantias dependerá, em larga medida, a capacidade de unir o país em mais um duro teste de resistência.

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