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Opinião

A imunidade do Governo

A imunidade do Governo

Por falta de alternativa válida ou por outro motivo qualquer, o Partido Socialista segue imune à pandemia e a todas as polémicas, continuando em trajetória ascendente nas intenções de voto, projeção capaz de deixar a Direita democrática portuguesa no limiar do desespero, ainda por cima em ano de autárquicas, eleições que colocarão à prova a liderança de Rui Rio no Partido Social Democrata, onde outras forças se movimentam, desde logo, Pedro Passos Coelho, que parece ter saído da sombra para fazer oposição e sombra, claro está, ao atual presidente.

A sucessão de trapalhadas envolvendo ministros e ministérios, não deixando ninguém indiferente, é tão significativa que já quase nem surpreende, podendo esse fator estar a contribuir para a aparente imunidade do Governo. As polémicas mais recentes abalaram os gabinetes de Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, e Francisca Van Dunem, ministra da Justiça. Na sequência do primeiro caso, espoletado pela morte de um cidadão ucraniano que estava à guarda do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, já aconteceram várias demissões, mas Eduardo Cabrita segue firme aos comandos, apesar de já nem dentro do PS reunir consenso; uma nomeação contestada de um procurador europeu, mistério adensado pelo envio de um currículo incongruente, deixou Van Dunem em situação difícil, e também custou, ontem, a saída de Miguel Romão, diretor-geral da Política de Justiça. No xadrez de António Costa parece ser sempre assim, aconteça o que acontecer, só caem os peões, e nessa queda é sustentada a continuidade das peças mais proeminentes. Eticamente pouco recomendável, a estratégia parece ser correta politicamente na perspetiva do PS, se olharmos para as sondagens. Se calhar, os portugueses têm medo de sentir saudades deste Governo. Se atentarmos no facto de "saudade" ter sido a palavra do ano em 2020, superando "pandemia" e "covid-19", pode fazer sentido.

Chefe de redação

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