Justiça

Bruno Lage e a fórmula Jesus

Bruno Lage e a fórmula Jesus

Jesus conquistou o Brasil. Vai ser campeão, festa que os adeptos do Flamengo andam a adiar desde 2009, e, sabendo-se que Béla Guttmann nunca orientou o clube de Zico, até tem 50% de possibilidades de ganhar a Taça dos Libertadores, depois de ter liderado, a partir do banco, a noite épica dos 5-0 sobre o Grémio, que rendeu o apuramento para a final da competição.

Para os flamenguistas, Jesus é o Messias. Há muito que não se via um Flamengo assim, tudo é euforia e espanto, quando, há apenas seis meses, a contratação do português mereceu críticas duras. Depressa converteu os céticos. Porque é competente, rigoroso, apaixonado. E fortíssimo na organização defensiva, o segredo para as suas equipas soltarem tanta genialidade no ataque.

Também tem muitos defeitos, menos um: o de permitir ingerências na hora de escolher o onze. No Flamengo, tem um plantel rico, fator indispensável à missão de ressuscitar o gigante. No Benfica também foi um pouco assim, tendo contado com os plantéis mais caros da história das águias, numa altura em que Luís Filipe Vieira já tinha como estratégia apostar nos talentos gerados na barriga do Seixal. Na diferença de ideias para se chegar ao êxito acabou por residir a verdadeira razão para a saída da Luz.

De 2015 para cá, o Benfica manteve, em campo, um modelo muito próximo daquele que Jesus utilizava. Quando Rui Vitória mudou para 4x3x3, perdeu. Vieira chamou Bruno Lage. O técnico usou os "mandamentos" de Jesus (4x4x2) e a coisa correu melhor, também porque recuperou a experiência e a influência de jogadores como Samaris e Pizzi. Anteontem, na vitória milagrosa da Champions, diante do Lyon, Pizzi começou no banco e Samaris nem se viu. O Benfica fez um jogo pobre, não restando dúvidas que, só com os miúdos do Seixal, há de continuar a somar desempenhos medíocres. Bruno Lage tem, nesta altura, um problema de método e de afirmação para resolver, sendo que ao adotar a estratégia de Vieira na hora de escolher 11 jogadores estará sempre mais perto de perder. Se partir para a rutura, ganhará mais vezes. E, quem sabe, terá sempre o seu Brasil.

Editor-executivo

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