O Jogo ao Vivo

Opinião

Conviver com o vírus

O Governo comunica mal desde o início da pandemia, o que confunde as pessoas, às vezes até dá a sensação de as pretender alarmar, sem qualquer efeito prático, porque um ano e meio depois existe um epidemiologista em cada português. Convém descer à terra antes de avançar com medidas dramáticas que podem acelerar a machadada final em setores fundamentais da economia, algumas tão prolongadas no tempo que já nem nos lembramos que existem bares, discotecas, futebol ao vivo e outros espetáculos. O foco do Estado deve estar na agilização de mecanismos catalisadores do regresso ao pré-pandemia, sem permitir que a anormalidade se transforme em normalidade, sentenciada naquela expressão irritante e descabida do "novo normal".

É indispensável que a situação avance estribada no conhecimento científico, mantendo as estruturas da saúde em prontidão e guarnecidas, olhar para a realidade dos números e perceber que fechar uma salada de concelhos às 23 horas já não é solução para nada, assim como continuar a bloquear todos indiscriminadamente, quando sabemos que, com pompa, a Europa da presidência portuguesa apresentou no mês passado um certificado que, pelo menos aos que tiveram a doença e aos que completaram o sistema de vacinação, devia permitir liberdade de movimentos.

Há colisões perigosas com igualdade, liberdades e garantias, mas a evolução da pandemia assinala que há dois dias morreram quatro pessoas com covid-19 e o país anda perto dos 40 mil casos ativos, tal como em novembro, quando a doença a cada 24 horas custava a vida a dezenas de pessoas e os internados superavam o milhar. O efeito da vacinação é tão evidente como a necessidade conviver com o vírus. Tudo isto é traduzido numa máxima um bocadinho covarde. Tratando-se da saúde comum, ninguém levará a mal: "Se não o consegues vencer, junta-te a ele".

*Chefe de Redação

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG