Estávamos habituados a ver os furacões apenas nas notícias, em territórios distantes. Sem darmos por isso, passaram a cair-nos em cima e vamos sendo surpreendidos pelo poder de uma Natureza quase sempre impiedosa nos danos, sobretudo para um povo que corre em direção às praias de telemóvel em riste quando há um alerta da Proteção Civil em sentido contrário.
Não há justificação para ignorarmos os avisos. Mas assim continuamos, até no quadro político global e no europeu, em particular. A escalada da extrema-direita um pouco por todo o Velho Continente merece reflexão e mudanças de fundo nos partidos tradicionais. Ainda não observamos este fenómeno como uma potencial catástrofe com capacidade para abalar o sistema democrático. E esta postura pode ser fatal, uma vez que a subida do risco está sempre ligada à ausência de prevenção.
As eleições regionais na Andaluzia, Espanha, conduziram, mesmo aqui ao lado, a uma viragem histórica, com o Vox, partido da extrema-direita, a conseguir eleger 12 deputados. Tirando a proximidade, nada disto soa a novo. Na Alemanha, forças no mesmo sentido conquistaram lugares em todos os parlamentos regionais. Na Hungria, na Polónia e na Áustria, movimentos similares participam em coligações governativas e, por fim, temos o caso da Itália, onde Matteo Salvini, o ministro do Interior, nem sequer precisa de liderar o Governo para impor políticas pouco recomendáveis.
Talvez pareça exagero, mas a realidade remete-nos para o que se passava na Europa antes da II Guerra Mundial. Sim, foi a força do voto que guindou toda esta gente ao poder. Contra isto não há argumentos. Importa, portanto, identificar por que acontece e contrariar a tendência de perda das forças moderadas, um exercício que terá sempre de ser feito pelos próprios, se possível, antes de serem apanhados pelo furacão.
Editor-executivo
