Sete meses depois de o Ministério das Finanças ter confirmado estar a investigar 90 transferências de futebolistas, verificamos a aparente inexistência de qualquer processo ou multa, o que não deixa de ser estranho.
Direcionando a atenção ao que se passa em Espanha, aqui ao lado, portanto, constatamos que a Fazenda recuperou muitos milhões em processos que visavam, por exemplo, Cristiano Ronaldo e José Mourinho. Juntos, têm de pagar mais de 20 milhões de euros. Não foram os únicos apanhados nos terrenos pantanosos da fraude. Outras figuras do desporto espanhol, e até outros portugueses menos mediáticos, responderam perante a Justiça. E também as autoridades francesas estão muito empenhadas em perceber os esquemas de fuga ao Fisco que abundam no desporto.
Estas investigações possuem em comum o facto de terem origem nas revelações do Football Leaks, um site que tem como rosto o pirata informático Rui Pinto. Não tenho qualquer simpatia ou animosidade em relação ao hacker, mas, lá está, parece um pouco absurdo que, do outono de 2015 ao presente, apenas Rui Pinto tenha sido apanhado nas redes da justiça, devido a um alegado caso de extorsão ao fundo Doyen. Então, e o resto? Não haverá naqueles documentos motivos para investigar e punir outras instituições ou pessoas? Será o nosso futebol, no que concerne às contas, um mundo à parte, um oásis de boas práticas sem ponta de mácula?
É impossível ter certezas. Mas tendo em conta que os fundos e os agentes de jogadores são os mesmos, é bem provável que a resposta seja não. Só que, infelizmente, fica sempre aquela sensação de que, em Portugal, a Justiça e o Fisco são fortes com os fracos e fracos com os fortes.
* EDITOR-EXECUTIVO
