Opinião

Um futebol mais limpo

O futebol está longe de resolver os problemas da saúde, do ensino, ou da justiça, menos ainda o da corrupção, com o qual também se debate, mas estimula, acrescenta pontos na autoestima e ainda projeta a imagem internacional de um país que, sejamos claros, apenas na produção de cortiça encontra paralelo em termos de liderança no Velho Continente, depois de a seleção nacional ter dado sequência ao título europeu de 2016 com a conquista da Liga das Nações, no domingo passado, no Porto.

Se é cada vez mais complicado ver clubes portugueses em finais de uma competição como a Liga dos Campeões, porque não conseguem segurar os melhores jogadores, pelo menos temos uma estrutura muito competente na Federação Portuguesa de Futebol, capaz de potenciar o talento quando os futebolistas se juntam para representar a equipa das quinas.

O treinador e ex-selecionador italiano Arrigo Sacchi disse um dia que "o futebol é a coisa mais importante entre as coisas menos importantes da vida". Tinha razão. Uma boa parte dos portugueses não hesitará em dizer que a grande prenda do Dia de Portugal chegou por antecipação no dia 9 de junho, com aquele êxito sobre a Holanda no Dragão, só que a Federação tem de ser muito mais do que as seleções. Compete-lhe tutelar este negócio de milhões, e não apenas as equipas nacionais.

O exemplo de competência e sucesso tem rapidamente de se traduzir em reflexos positivos na realidade dos clubes. Nesse campo, além do talento dos jogadores, não temos mais para mostrar, a não ser coisas que nos envergonham, como o mau exemplo dos dirigentes, as suspeitas de corrupção e a violência sobre os árbitros. Mais nada. Por isso, é tempo de a Federação, de uma vez por todas, liderar uma regeneração que só acontecerá quando os infratores forem punidos. Se possível, antes dos tribunais, pois há nos regulamentos instrumentos para isso.

*Editor-executivo