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Opinião

Um país ao contrário

Um país ao contrário

Portugal é, em questões importantes, uma espécie de mundo ao contrário, onde se torna complicado perceber as coisas mais simples. Criámos a Lei da Paridade, somos confrontados com intenções políticas como a do Partido Socialista, que aproveitou os megafones de verão para anunciar listas às eleições europeias com número igual de mulheres e homens, para depois falharmos em toda a linha naquilo que, no limite, cria um obstáculo no campo da igualdade às famílias e quase sempre às mães, em particular.

Seja por vocação ou por imposição cultural, não vale a pena escondê-lo, sabemos que a fatia de tempo - e aqui desconto o período, no máximo até cinco meses, em que a mãe pode estar em casa com o recém-nascido sem perda de retribuição no trabalho - dispensado pelas mulheres na educação e acompanhamento das crianças é, normalmente, bem superior à dos homens. Por isso, não há imposição legal que contrarie a realidade enquanto não forem encontradas condições de verdadeira igualdade. O que não acontece agora, por exemplo, em relação às creches - a situação está bem explicada na edição de ontem do "Jornal de Notícias", em que se dá conta que metade das crianças não tem vaga.

A ideia de um país ao contrário afigura-se, aqui, cada vez mais clara. Então, temos graves problemas de natalidade, abundam medidas de incentivo, com origem no Poder Central e nas autarquias, para depois enclausuramos as famílias no drama de não terem onde deixar os filhos. Com incentivos destes, podemos esperar o quê, a médio prazo? A solução pode passar mesmo por ficar em casa a cuidar dos rebentos, realidade que, como expliquei, recai, sobretudo, nas mulheres. E assim voltam a cruzar-se dois desígnios sobre os quais os políticos gostam muito de falar, a paridade e a natalidade, mas que não se resolvem com discursos acalorados de verão.

* EDITOR-EXECUTIVO-ADJUNTO

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