Em férias forçadas desde 17 de Junho, os 250 operários das fábricas Basmold e Lecomad (grupo Basmad) já não acreditam no "milagre" da reabertura. Defendem a insolvência das empresas para receberem os salários.
Uma centena dos 250 trabalhadores concentrou-se, ontem, durante a manhã, junto aos Paços do Concelho, para reclamar direitos e mostrar a sua indignação. "Apesar da boa vontade do presidente desta autarquia, já não esperamos nada. A administração iludiu toda a gente, quando disse que as empresas apenas tinham fechado para férias. Foi tudo mentira. Mas não vamos desistir. Enquanto não nos pagarem o que devem, até ao último tostão, lutaremos pelos nossos direitos", avisou Cândido Marques, um dos operários.
O cepticismo instalado entre os trabalhadores é de tal ordem, que a maioria terá já formalizado o processo para aceder ao subsídio de desemprego. "Não temos outro caminho. A nossa vontade era continuar a trabalhar, mas já estão a desmantelar tudo. Não há luz, telefones ou água", acrescentou Cândido Marques.
À tarde, um pequeno grupo assistiu, na zona industrial de Carregal do Sal, ao carregamento de quatro camiões TIR e de uma carrinha. "Está aqui um oficial de justiça a cumprir um mandado de levantamento de bens penhorados. Máquinas, matéria prima e outras coisas. Dizem-nos que o buraco financeiro da empresa chega aos 135 milhões de euros", acrescentou o mesmo trabalhador, que já só espera que "ainda sobre alguma coisa para nos pagarem os salários de três meses (Maio, Junho e Julho) e os subsídios de Natal e de férias", explica.
Para garantirem o pagamento das dívidas, os trabalhadores contrataram um advogado que terá já pedido a insolvência das Basmold. "Hoje [ontem] vamos estar com ele novamente, às 18 horas, para avançarmos com idêntico pedido relativamente à Lecomad", acrescentou Marco Dinis, outro dos trabalhadores.
As empresas funcionavam há cerca de quatro anos. A Basmold no sector das molduras e componentes de madeira, e a Lecomad em portas e derivados. A maior parte da produção era exportada para o mercado espanhol. O autarca de Carregal do Sal, Atílio Nunes, ainda acredita num volte-face favorável aos operários.
