
Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira
Foto: Pedro Correia / Global Imagens
O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, garante que "a Câmara do Porto vai conseguir classificar o Stop", na Rua do Heroísmo. Em entrevista ao jornal Público, o autarca considera que esta "novidade" vai "acabar com a possibilidade de o Stop ser demolido, sendo transformado num hotel ou seja o que for".
Recordando todo o histórico da "situação ilegal" que se vive no centro comercial Stop, na Rua do Heroísmo, no Porto, onde mais de uma centena de frações foram transformadas, nos últimos 20 anos, em estúdios de música, o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, afirma que, perante a recusa dos artistas na mudança para os dois últimos pisos do Silo Auto, "a Escola Pires de Lima, situada ao lado do Stop, vai servir para uma parte daquelas atividades que se desenvolvem naquele espaço". A gestão, como já tinha avançado o autarca, ficará a cargo da Associação Amigos do Coliseu.
Certo é que, adianta ao jornal Público, "não tendo o Governo sido capaz, ou ter tido condições, para classificar [o imóvel], a Câmara do Porto vai conseguir classificar o Stop". "Isto é uma novidade! Não apenas o uso, mas uma parte do edifício. Não conseguimos classificar tudo, mas pelo menos isso vai acabar com um argumento ou com a possibilidade de o Stop ser demolido, sendo transformado num hotel ou seja o que for", revela.
Moreira diz que a Câmara vai conseguir, ao classificar o edifício, "preservar a fachada" e que, a partir desse momento, "não é possível fazer outra coisa" lá.
Evitar que Stop seja alvo de "voragem especulativa imobiliária"
"Estamos em contacto com a Direção-Regional de Cultura do Norte e queremos acreditar que vai visar o nosso parecer. E o que é que nós vamos travar? Vamos travar aquilo que os músicos temiam, e que eu compreendo, que todo este processo do Stop fosse alvo de uma voragem especulativa imobiliária. Isso nós vamos conseguir parar", garante.
Por outro lado, o presidente da Câmara do Porto insiste na impotência daquele Município quanto à realização de obras. "A lei não o permite. Pode ser que, com esta intervenção, os proprietários consigam manter aquela atividade. Aliás, já pediram à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil para que lhes diga que investimento têm de fazer para manter lá uma parte dos músicos", acrescentou Moreira.
Ainda esta quarta-feira, numa audição parlamentar na Comissão da Cultura, os representantes da petição em defesa do Stop manifestaram interesse na "transferência parcial de gestão para os músicos, enquanto indivíduos e coletivo".
Quanto às providências cautelares, o autarca refere que "não foram colocadas pelos músicos", mas sim "pelos proprietários das lojas abertas para o exterior".

