A agricultura biológica é uma aposta da Câmara Municipal de Penela. Em marcha está um projecto educativo dedicado a este modo de produção. Para já, o Mercado Familiar e Tradicional, mensal, vai para a terceira edição.
A agricultora Maria Isilda Ferreira, de 60 anos, não quis desperdiçar as sobras da horta e da vinha, por isso decidiu vendê-las no Mercado Familiar e Tradicional de Penela. O certame decorreu ontem, em pleno centro histórico, pela segunda vez, com a participação maioritária de pequenos produtores do concelho.
Os produtos são cultivados de modo biológico, sem recurso a pesticidas ou hormonas - o feijão, as cebolas e a alface de Maria Isilda, por exemplo, cresceram a partir de estrume de vaca -, mas não possuem certificação. A autarquia pretende alterar isso, como explica o coordenador do Gabinete de Desenvolvimento Rural, João Amílcar: "A meta é conseguir que alguns dos produtores se certifiquem".
O mercado mensal não foi a única iniciativa do poder local para incentivar a produção agrícola de qualidade na região. A autarquia lançou, também, o programa FACE - Formação Agrícola de Consciência Ecológica, destinado a promover o gosto por esse modo de produção, inclusive nos mais novos. A estreia do FACE deu-se em Junho, com a criação de uma espécie de campo de trabalho, na aldeia de xisto Ferraria de São João, dirigido a jovens dos 15 aos 18 anos. Teve tanto êxito que já se prevêem outras iniciativas no seu âmbito. Em Dezembro, o projecto deverá estender-se à população adulta, mas também à infância (dividindo-se em duas categorias: dos 6 aos 10 anos e dos 10 anos aos 13).
Um dos objectivos do FACE é "desmistificar a ideia de que a agricultura é foleira e rude", explica João Amílcar, alertando para a existência de vertentes atractivas a explorar, na área, como a compostagem ou o cultivo de ervas aromáticas. Por enquanto, o Mercado Familiar e Tradicional de Penela só disponibiliza cerca de um quarto de produtos biológicos certificados, estima João Amílcar. Provêm, essencialmente, de produtores das zonas limítrofes do concelho. O grande objectivo do mercado é permitir aos pequenos agricultores do concelho escoar os produtos que sobram. Mas há quem veja na terra outras potencialidades, como mostra a Associação Quinta das Pontes, dedicada à reabilitação de pessoas com doenças mentais. A agricultura biológica é uma das actividades ocupacionais que aquela entidade coloca ao dispor dos utentes. Diz a assistente social Catarina Pereira que, para eles, o cultivo dos produtos agrícolas em cima da banca são uma terapia.
A próxima edição do mercado decorre a 6 de Setembro, em Espinhal, paralelamente à Feira do Mel.
