
Carolina Barbosa, Natália Barbosa e Ana Carolina tomam conta dos táxis da família
Rui Manuel Fonseca / Global Imagens
Avó, mãe e filha a fazer serviço de táxi a partir de Barroselas. Carolina tem 80 anos e renovou há pouco a certidão de aptidão profissional.
Carolina Barbosa, com 80 anos, conhecida por "Lininha", começou há meio século a trabalhar como taxista para ajudar o marido Manuel, que gostava de ir à caça, mas não tinha tempo. Natália Barbosa, 57 anos, é filha do casal de taxistas e deixou o salão de cabeleireiro onde trabalhava em 2011 para dar continuidade à empresa dos pais. E Ana Carolina, de 31 anos, filha da antiga cabeleireira, é diretora de uma IPSS, mas tirou o certificado de aptidão profissional de motorista de táxi para auxiliar no serviço quando uma doença oncológica foi diagnosticada à mãe há seis anos. As Barbosa não querem deixar parar o taxímetro da família, que conta com uma frota de cinco táxis, um deles em Durrães.
"Quando casei, fazia camisolas à máquina e tive uma loja de lãs. Mas via que o Manuel, o meu marido, gostava de ir à caça e não tinha tempo. E então disse: vou tirar a carta. Tirei a de amador e dois anos depois a de profissional. Aprendi mecânica e tudo. Eu era a única mulher que andava lá. O resto eram rapazes", conta Carolina.
"Ficava toda a gente a olhar"
Recorda que quando começou a guiar "ficava toda a gente a olhar, porque não havia mulheres taxistas". Depois, "toda a gente queria a "Lininha"". Conta que ficou com o serviço da noite. "Ia muito ao hospital. As mulheres que iam ter os filhos viajavam todas comigo. Não havia ambulâncias como agora.
O marido, que hoje tem 89 anos e foi taxista 65, adoeceu e parou. "Não era para renovar o cartão, mas renovei porque às vezes a Natália está atrapalhada com o serviço e vou eu. Mas não tenho conduzido muito por causa do Manuel", explica a octogenária.
Natália Barbosa orgulha-se de ter escolhido ser taxista quando o pai "começou a pensar vender o carro". "Gosto muito deste trabalho e, para ser franca, tenho muita vaidade de estar a substituir o meu pai", afirma, sem esconder igualmente a vaidade pela filha que lhe segue os passos. "Desenrasca-se muito bem. Ajuda muito. Ainda há pouco foi fazer um serviço a Darque porque eu não podia. As pessoas estão sempre a dizer: "ai a sua menina é tão simpática"", revela.
Para já, Ana Carolina, a mais nova, quer manter o seu trabalho, mas não descarta dedicar-se por inteiro à vida de taxista. "Gosto disto. Comparando com o meu trabalho, dá menos dor de cabeça. A curto prazo não troco, mas a médio ou longo prazo talvez. O que queremos todos é não deixar a empresa morrer", justifica.
Sobre rodas
História com 100 anos
Segundo Natália, a história dos táxis na família Barbosa "já tem quase 100 anos". "O meu avô era taxista. Tinha três filhos e todos tiveram táxi. Dois desistiram há alguns anos e o meu pai, Manuel Barbosa, continuou", recorda.
Fins de semana, noites e férias
Ana Carolina ajuda a avó e a mãe, principalmente ao fim de semana, noites e nas suas férias. Faz viagens longas, como ir a Lisboa, ao aeroporto, ou ao Porto. "Se ela viesse trabalhar comigo era a minha alegria", admite Natália Barbosa.

