
Estátua de D. Afonso Henriques, em Guimarães, onde acontecerá homenagem.
Foto: Câmara Municipal de Guimarães
O primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques, terá morrido a 6 de dezembro de 1185 (com 76 anos), faz 840 anos no próximo sábado. A Grã Ordem Afonsina organizou um programa para marcar esta data e para alertar para o facto de, em 2028, se comemorarem os 900 anos da Batalha de São Mamede. Durante a manhã, haverá uma homenagem ao primeiro monarca e, à tarde, uma missa por sua intenção.
Com o objetivo de "proclamar D. Afonso Henriques como autor da independência de Portugal", de recordar que "faltam apenas dois anos para o país fazer 900 anos" e para "descartar" aquilo que classificam como "figuras de retórica que costumam ser usadas na comunicação da fundação", a Grã Ordem Afonsina, em colaboração com a Misericórdia de Guimarães e com a Associação de Veteranos Lanceiros de Portugal, organizou um programa para assinalar os 840 anos da morte do primeiro rei.
No sábado, às 10.30 horas, vai realizar uma homenagem, junto à estátua de D. Afonso Henriques, em frente ao Paço dos Duques de Bragança. No mesmo dia, às 16.30 horas, o arcebispo emérito de Braga, D. Jorge Ortiga, celebrará uma missa por intenção de D. Afonso Henriques, na igreja do Carmo.
Florentino Cardoso, membro da direção da Grã Ordem Afonsina, afirma que "o autor da independência de Portugal merece ser homenageado". Para este responsável da associação cultural que tem como objetivo "divulgar, a partir da Cidade Berço, o relevante e transcendental papel da vida e obra do nosso rei fundador", o 24 de junho de 1128 deve ser considerado "a data do nascimento de Portugal".
Florentino Cardoso crítica a importância dada ao 1 de dezembro e considera que, nesta data em 1640, "apenas mudamos o chefe de Estado, trocamos um rei espanhol por um português, mas Portugal não se tornou independente porque nunca deixou de o ser".
Não há consenso
A Grã Ordem Afonsina admite que não há um consenso quanto à data do "nascimento de Portugal", mas discorda da adoção da data do Tratado de Zamora. A associação quer espoletar uma discussão sobre o tema em que se envolvam os académicos.
"Se não fizermos isto agora, quando se aproximam os 900 anos da Batalha de São Mamede, teremos de esperar mais 100 anos", comenta. A associação quer fazer uso de uma linguagem que toda a gente percebe dizendo: "Portugal faz anos em 2028". Florentino Cardoso chamou também a atenção para a necessidade de envolver a Igreja nas comemorações, pela importância que teve na formação do Reino de Portugal, e dos países lusófonos.

