
Alexandrino Fernandes e o pai centenário, Vitorino Teixeira Fernandes (104 anos)
Octavio Passos/Global Imagens
Vitorino Fernandes é, com 104 anos, a pessoa com mais idade do concelho de Penafiel. E esta quarta-feira, durante a celebração do Dia dos Avós, teve direito a uma homenagem na forma de um bolo com os mesmos metros que a sua idade.
"Já costumo vir à festa e numa ocasião até subi ao palco", afirmou o antigo alfaiate de São Martinho de Recezinhos, que já não brinca com os quatro filhos e os seis netos mas que não perde uma oportunidade para se divertir com os seis bisnetos e o único trineto.
8664958
"Ele é muito autónomo, só tem alguma dificuldade para se movimentar. E apenas toma um comprimido para o coração, por dia. Eu tomo mais", garante Alexandrino Fernandes que, com 77 anos, é o filho mais velho de Vitorino.
Bem de saúde e animada estava também Maria Almeida. Ao lado do marido, esta mulher de 75 anos procurava um lugar à sombra no Parque da Cidade de Penafiel onde, por iniciativa da Câmara de Penafiel, se juntaram mais de seis mil avós para comemorar um dia que começou com jogos tradicionais, teve uma missa campal celebrada pelo Bispo do Porto, continuou com um mega piquenique e terminará com uma tarde de concertos.
"Tenho 14 netos e quatro bisnetos", revelou Maria Almeida enquanto esperava, ansiosamente, a chegada de uma das netas. Outra encontra-se na Suíça, para onde os pais emigraram. "Vi-a há pouco tempo pela segunda vez e foi uma grande alegria. Só cá tinha vindo uma vez, no ano passado", recorda.
Ser avó é ser mãe duas vezes
Para esta septuagenária de Abragão não há dúvidas: "ser avó é ser mãe duas vezes". E explica que, no tempo em que criou os filhos, "trabalhava todo o dia na terra e não tinha muito tempo para eles". Agora, acrescenta, passa "muito mais tempo a brincar com os netos".
O Dia dos Avós foi institucionalizado pela Assembleia da República, em 2003, depois de uma luta de 17 anos liderada por Ana Elisa Couto. Hoje, o filho mais velho, António Couto Faria, apresentou o livro que confirma a tenacidade e persistência da penafidelense que escreveu centenas de cartas à Assembleia da República e apelou a dezenas de figuras públicas em defesa da consagração do Dia dos Avós. "A minha mãe trabalhou muito para criar este dia e a publicação deste livro deixa-me feliz. E penso que ela também está contente", assumiu António Couto Faria.
