"Querido, vai indo à frente que eu e a Carmen ficamos por aqui!". Glória, agarrada pelo braço repleto de folhos da sua amiga, estava morta de riso ao olhar para a ementa da "caseta" (stand) da cidade do Porto. Tudo porque ali serviam polvo, o que em castelhano significa pó e, em calão espanhol, é um sinónimo para relações sexuais. E se esse era um dos serviços oferecido pela "caseta" do Porto, então as sexagenárias preferiam ficar por ali. Com a devida explicação, dispensaram o polvo e optaram pelo bacalhau.
É assim em Puerto de Santa Maria, Sul de Espanha, onde decorre, até amanhã, decorre a Feira de Primavera e do Vinho Fino, certame em que o Porto é a cidade homenageada. A Câmara do Porto em parceria com a Essência do Vinho, está presente com um espaço para promover a cidade.
O espaço - com imagens-chave do Porto, sofás de couro e música suave - contrasta com a vizinhança, marcada por mesas e cadeiras de madeira frágil, cortinas com tecido branco às riscas verdes (cores da bandeira da Andaluzia) e sevilhanas a berrar. Também o clã que habita a "caseta" do Porto é bastante mais engravatado e mais velho do que os de outros espaços, onde os jovens bebem e dançam até cair para o lado.
Manuel foi comer com os colegas de trabalho e, apesar de ter considerado que a comida era cara (sete euros por prato) para a feira, não poupou nos elogios: "Muito boa, muito boa".
Pablo, perto dos 60 anos, assegurou que o melhor da Invicta são "a Ribeira e o vinho do Porto"; mas Roberto, a rondar os 20, contrapôs: "O melhor do Porto são os dragões".
No dia de abertura da feira, as luzes da festa foram accionadas por Isabel Rodigues Coutinho, acompanhada pelo marido e pelas filhas. Uma portuense que há um ano residente em Puerto de Santa Maria e que configura um exemplo de integração.
