Batelão abandonado no Rio Douro há nove anos encontra futuro no Tejo

Batelão abandonado há nove anos na margem do rio Douro
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Um antigo barco de extração de areia no rio Douro, abandonado em Cinfães há cerca de nove anos, vai ser recuperado e passará para o Tejo na primavera.
A revelação foi feita pelo diretor de operações da Sociedade de Extração de Agregados, David Gomes, na sequência de uma denúncia feita à Lusa pelo cidadão neerlandês Jaap Super sobre um "batelão abandonado com maquinaria pesada a bordo, que se encontra num estado muito avançado de corrosão e degradação e está parcialmente afundado".
"A situação representa um sério risco ambiental para o rio Douro, um potencial perigo para a navegação e um significativo prejuízo para a imagem da região", acrescentou o consultor e promotor de projetos imobiliários, que chegou a Portugal em 2017 e instalou-se numa quinta do Douro.
Super tentou perceber o motivo do barco estar ali, no troço entre Magrelos (Marco de Canaveses, distrito do Porto) e Espadanedo (Cinfães, distrito de Viseu), à vista de todos os que diariamente sobem e descem o rio em embarcações turísticas. "Falei com o antigo proprietário, que me explicou que o barco [Plutão] fora vendido a uma empresa dos arredores de Lisboa e que a responsabilidade era deles", disse.
Contactado pela Lusa, o anterior proprietário do Plutão, Filipe Silva, confirmou que se trata de um barco que esteve na extração de areia no rio Douro, atividade que acabou anos depois da queda da ponte Hintze Ribeiro, em Entre-os-Rios, a 4 de março de 2001. Segundo Filipe Silva, o barco que pertencia à empresa Fafstone manteve atividade "até 2009 ou 2010 e depois parou completamente".
"O barco foi vendido há cerca de nove anos à EPA e sei que depois eles fizeram todas as preparações, pois precisava de certificados e só os poderia obter com as necessárias reparações feitas, mas por motivos que não entendemos, depois disso, o novo proprietário não levou o barco", acrescentou.
Segue para o Tejo
Em resposta ao pedido de esclarecimento da Lusa, o responsável da EPA explicou que "o objetivo é levar o batelão para o Tejo, para trabalhar na zona da Póvoa de Santa Iria", e que isso será feito "na primavera, depois de feitas as reparações no estaleiro da Inersel, no outro lado do rio onde está atualmente".
Questionado pelo motivo, nove anos após a aquisição, do barco continua no local, David Gomes respondeu que, no segundo ano após a aquisição, "questões burocráticas solicitadas pela Capitania do Douro" que atiravam a viagem para o Tejo para "setembro ou outubro" inviabilizaram a viagem com rebocador por mar.
Seguiram-se "novas obras em doca seca, para recuperação da chapa", após o que foi "contratada uma empresa de reboques de Viana do Castelo, mas o tempo voltou a não ajudar a que se fizesse a viagem", referiu.
Nos últimos dois anos, disse, tentaram que a Inersel rebocasse o barco para a sua margem, "mas não houve condições para o fazer em segurança", razão pela qual decidiram esperar pela "chegada da próxima primavera para a intervenção final antes da viagem, no verão, para o Tejo".
