Bom Jesus de Braga candidata obras de 2,2 milhões de euros ao novo quadro comunitário

Foto: Gonçalo Delgado
A Câmara de Braga e a confraria do Bom Jesus do Monte assinaram, esta terça-feira, um protocolo de colaboração para permitir que seja apresentada uma candidatura a fundos comunitários com o objetivo de financiar a terceira fase de intervenção no santuário, que está estimada em 2,2 milhões de euros.
O protocolo prevê que esta terceira fase do projeto de requalificação seja implementada num prazo máximo de dois anos e dá à Câmara de Braga a “totalidade da responsabilidade técnica, mas sem responsabilidade financeira”, cabendo à confraria submeter a candidatura para obter financiamento através do aviso “Rotas do Norte”, do quadro comunitário de apoio 2030. A componente nacional (25%) da comparticipação será assumida pela confraria.
Em causa está o projeto “Bom Jesus: Requalificar III”, que prevê várias intervenções, desde logo a requalificação da Casa dos Correios, com a anunciada demolição da estrutura de betão da esplanada – já removida – e a criação de um centro interpretativo do Bom Jesus, que terá o nome do anterior arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga. Na parte inferior será criada uma nova cafetaria, que poderá também receber exposições e outras iniciativas.
Segundo o vice-presidente da confraria, Varico Pereira, a intervenção nessa zona permitirá “eliminar barreiras arquitetónicas” e “melhorar a acessibilidade” para que “todas as pessoas possam aceder de forma mais rápida ao elevador”. O projeto inclui igualmente uma intervenção na base do elevador, com a valorização do apeadeiro e a criação de um outro espaço interpretativo, este para explicar o funcionamento do funicular.
Em termos de melhoria da qualificação da visita, a confraria pretende colocar sinalética “indicativa e informativa” em todo o espaço do santuário e fazer uso das novas tecnologias, nomeadamente para dar aos visitantes a possibilidade de conhecer melhor o Bom Jesus ou de poderem comprar online os bilhetes para viajar no elevador, visitar a torre sineira ou andar nos barcos do lago.
Segundo Varico Pereira, este conjunto de intervenções está estimado em cerca de 2,2 milhões de euros, já tem projetos aprovados e pretende dar resposta a “necessidades de requalificação do património e de qualificação da visita” recomendadas pela UNESCO, uma vez que o santuário está classificado desde 2019 como património cultural mundial.
“As candidaturas têm de ser apresentadas até 31 de dezembro [deste ano], esperando-se uma decisão até final de março [de 2025]. Prevemos que, se as coisas correrem como pensamos, e se a candidatura for aprovada, as intervenções iniciem em maio de 2025 e terminem, o mais tardar, em maio de 2026”, apontou o vice-presidente da confraria.
Arranjo junto ao pórtico
Depois de a principal estrada de acesso ao santuário ter sido recentemente reabilitada pela Infraestruturas de Portugal, o presidente da Câmara de Braga, Ricardo Rio, assumiu esta terça-feira o “compromisso” da autarquia de intervencionar a estrada e a zona existente junto ao pórtico, na parte inferior do Bom Jesus, algo que não está contemplado na candidatura.
“Há o compromisso do município de contribuir para podermos qualificar aquele espaço, para o dotar de mais condições de segurança para os cidadãos e os peões que ali afluem”, disse o autarca, sublinhando que a Câmara de Braga está “completamente alinhada” com a valorização do santuário.
“É com muita satisfação que nos associamos a esta candidatura, esperamos que ela seja muito bem sucedida e, obviamente, continuarão a contar connosco para estes e para outros projetos em torno do Bom Jesus”, garantiu Ricardo Rio.

