
O contrato da obra da primeira linha do BRT foi assinado em outubro pelo executivo de Ricardo Rio
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Câmara não avança já com ligação, mas mantém compra de autocarros. Prioridade é nova circular apoiada pelo Governo.
A Câmara de Braga não vai avançar com a construção da linha de BRT (Bus Rapid Transit) que estava projetada entre a estação ferroviária e o hospital, o que significa que perderá cerca de 30 dos 76 milhões de euros assegurados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Em contraponto, a autarquia anunciou esta quarta-feira ter garantido da parte do Governo um investimento de 80 milhões de euros para criar uma nova circular rodoviária para aliviar o trânsito na cidade, cujo primeiro troço deverá estar pronto até 2029.
Em conferência de imprensa, o presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, disse que esta linha do BRT "mantém-se prevista nos instrumentos de gestão territorial, mas não começa agora", ao contrário do que estava estabelecido e que implicava que ficasse pronta até junho, que é o limite fixado pelo PRR. "Ao deixarmos de fazer esta linha no centro da cidade, deixamos de estar ligados àquilo a que nos tínhamos comprometido [em termos de prazos]", referiu o autarca, eleito por uma coligação PSD/CDS/PPM, que acrescentou que o município pretende agora priorizar a ligação por metrobus a Guimarães e à futura estação de alta velocidade que vai ser nascer em Braga.
Sobre o apoio previsto no âmbito do PRR, na ordem dos 76 milhões de euros, João Rodrigues disse que "não se vai perder o financiamento para o equipamento", cuja compra se mantém tendo em conta essas futuras ligações, mas perder-se-ão as verbas destinadas à execução da linha. "Se não vamos fazer essa obra, não vamos aproveitar essa linha de crédito", admitiu o edil. Em causa, segundo João Rodrigues, está um montante "à volta dos 30 milhões de euros", que "seriam financiados se houvesse obra", o que já não acontecerá.
"No caso do BRT, vamos fazer uma obra muito superior. A questão é a opção de começar pelo centro da cidade ou pelas ligações a Guimarães e à alta velocidade. O nosso entendimento é que devemos começar pelos acessos", acrescentou o presidente da Câmara de Braga, para quem, em termos de mobilidade, "o problema está no centro, mas a solução está fora". Neste momento, não há ainda prazos nem projetos para essas novas ligações de metrobus, mas João Rodrigues assegurou que o município "vai começar a trabalhar diariamente" com o Ministério das Infraestruturas e com a Câmara de Guimarães quanto a esse processo.
80 milhões para variante
Na mesma conferência de imprensa, o autarca de Braga anunciou que realizou ontem, terça-feira, uma reunião de trabalho com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, na qual o governante "mostrou total abertura para assumir como prioritário o investimento" na circular rodoviária externa e o "compromisso de o formalizar através de um protocolo a celebrar nas próximas semanas".
"Prevê-se um investimento de cerca de 80 milhões de euros do poder central no nosso concelho, que serão diretamente investidos nesta infraestrutura tão importante para nós", indicou João Rodrigues, sublinhando que o protocolo entre a autarquia e o Governo deverá ser assinado no prazo de quatro semanas, em Braga.
A obra será realizada em dois troços, um primeiro entre Ferreiros e a zona da ETAR de Frossos e um segundo entre o centro comercial Nova Arcada e a Serra do Carvalho, passando pelos parques industriais de Pitancinhos, Adaúfe e Navarra. Segundo João Rodrigues, a primeira dessas fases deverá estar concluída até ao final deste mandato, em 2029, uma vez que já existem projetos, algo que não acontece no outro troço.
João Rodrigues garantiu que a Câmara vai dar "prioridade absoluta" à criação da circular rodoviária externa, que disse ser "uma das obras mais importantes das últimas três décadas em Braga, a par do hospital". "Teremos uma equipa própria que vai trabalhar todos os dias para pôr prego a fundo nessa solução", assegurou o autarca, em declarações aos jornalistas. De acordo com João Rodrigues, a nova circular permitirá que praticamente 60% do trânsito de atravessamento que entra todos os dias no concelho não tenha de ir ao centro da cidade, aliviando essa zona.

