
Prevê-se a instalação de 67 900 painéis
Foto: Paulo Spranger/Arquivo
A Câmara de Arouca emitiu parecer negativo à instalação de uma central fotovoltaica, cuja implantação ocupa uma área com 88,5 hectares e inclui a instalação de 67.900 painéis.
A autarquia, citada pela Lusa, considera que o projeto poderá acarretar "prejuízos relevantes" para o ordenamento local. O empreendimento, noticiado pelo JN, já tinha motivado críticas por parte da associação ambientalista SOS Rio Paiva.
Em causa está um projeto da empresa Categoryfrontier Lda., que, para localização exata dos seus módulos monocristalinos e demais estruturas associadas à produção de energia, está a estudar uma área mais alargada de 358,64 hectares, dispostos por cinco freguesias de Arouca e duas de Santa Maria da Feira - ambos os concelhos no distrito de Aveiro e Área Metropolitana do Porto.
A fase de consulta pública sobre o empreendimento terminou terça-feira e, de acordo com a Lusa, gerou 254 participações. A câmara de Arouca confirmou que o executivo municipal, composto por quatro eleitos do PS e três do PSD, foi unânime no parecer negativo ao projeto, por considerar que, "face à informação atualmente disponível, ele evidencia potenciais impactes territoriais, paisagísticos e estratégicos suscetíveis de configurar prejuízos relevantes para o ordenamento e desenvolvimento locais, nos termos do Regulamento do Plano Diretor Municipal".
Realçando que todo o território do concelho está classificado como Geoparque Mundial da UNESCO, o executivo diz-se empenhado na transição energética, mas defende "a proteção da paisagem, o ordenamento do território e a qualidade de vida das populações".
Património natural
"Arouca segue uma estratégia de desenvolvimento assente na salvaguarda e valorização dos recursos endógenos, em especial do seu património natural. Mesmo reconhecendo a importância dos investimentos em energias renováveis, importa assegurar que estes, a ocorrerem, estejam alinhados - em localização, proporção e dimensão - com a estratégia de valorização territorial sustentável do concelho, salvaguardando os níveis de qualidade de vida da comunidade", diz a autarquia.
É por isso que, "salvo demonstração inequívoca em sede de Estudo de Impacte Ambiental" da inexistência dos riscos identificados, o município se manterá "desfavorável à implantação do projeto na configuração e localização atualmente apresentadas". v
Apontamentos
Áreas
Do total da área do projeto, 19,26 hectares (equivalente a 20 campos de futebol) serão ocupados por painéis solares e inversores. O restante espaço destina-se a acessos, infraestruturas técnicas, zonas de proteção e integração paisagística.
Abastecimento
A central fotovoltaica deverá produzir 77,4 gigawatts-hora de eletricidade por ano, energia suficiente para abastecer cerca de quatro mil casas.
Impacto
A instalação de vedações, acessos internos e infraestruturas técnicas poderá fragmentar habitats naturais, condicionando a circulação da fauna.
