Algumas carruagens do núcleo de Vila Viçosa do Museu dos Coches correm risco de ser transferidas para o novo espaço museológico em Lisboa, disse ontem, segunda-feira, fonte da Fundação da Casa de Bragança. É uma "machadada" para o Alentejo, criticam os locais.
A directora do Museu da Fundação da Casa de Bragança, Maria Monge, referiu, no entanto, que "não há nenhuma comunicação oficial" a este respeito para a direcção da Fundação, instituição que faz a gestão das visitas no núcleo instalado no Paço Ducal, em Vila Viçosa.
Apesar de não haver uma "informação oficial", Maria Monge avançou que "alguns dos coches que estão no núcleo de Vila Viçosa correm risco de ser transferidos para o novo Museu dos Coches, em Lisboa".
"A centralização funciona", disse a responsável, considerando que, no caso de se concretizar esta situação, se traduz "num prejuízo para a visibilidade das viaturas".
"É um património que estava a ser usufruído pelas populações do interior e que vai para o Museu dos Coches em Lisboa", salientou.
Maria Monge realçou que a carruagem que transportava o Rei D. Carlos quando foi assassinado há 102 anos constituía, até há pouco tempo, o principal atractivo da exposição permanente de carruagens de Vila Viçosa, no Paço Ducal.
Foi e não voltou
Aquela carruagem, segundo a responsável, foi transferida para Lisboa há dois anos, quando se assinalou o centenário do regicídio e não regressou a Vila Viçosa.
A directora do Museu da Fundação da Casa de Bragança referiu ainda que "há pouco tempo" a Fundação renovou um protocolo com a direcção do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC), organismo tutelado pelo Ministério da Cultura, para a continuidade, por um prazo de 20 anos, de cerca de 70 viaturas no núcleo de Vila Viçosa.
