
Patrícia Ferreira com três filhos, aguarda por casa com arrendamento apoiado, em Galegos, Penafiel.
José Carmo / Global Imagens
Presidente da Câmara de Penafiel acusa Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana de protelar entrega em regime de renda apoiada. Instituição garante que fogos precisam de obras.
Há 30 casas vazias, fechadas e a degradar-se num empreendimento em Novelas, Penafiel, que podiam ser entregues a algumas das 200 famílias com necessidades económicas e habitacionais em lista de espera no concelho, sustenta o presidente da Câmara. Antonino de Sousa garante que 20 estão prontas a habitar e aguardam apenas uma adenda ao protocolo com o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), que o Município pediu há mais de um ano e nunca teve resposta. O IHRU confirma que os fogos estão vazios, mas acrescenta que precisam de obras.
"Às vezes, falto com comida para pagar a renda e não ficarmos sem teto. Estou sempre com o coração nas mãos", assegura Patrícia Ferreira, 35 anos, que aguarda há três anos por uma casa em regime de renda apoiada para ela e para os três filhos: David, 15 anos, Filipe, 13, e Gabriel, 11. A casa onde vive, em Galegos, não tem condições, é fria e húmida, causando problemas de saúde recorrentes no filho mais novo, que tem um atraso de desenvolvimento. As constantes ausências para ir com o filho a consultas fizeram Patrícia perder vários empregos. Atualmente, está de baixa para lhe dar apoio e faz rissóis e bolos para fora.
"Temos vivido da ajuda do meu ex-marido e de familiares. Recebemos alimentos de uma instituição e já tivemos apoio da Câmara para a renda, luz e medicação", explica. Entre a baixa e os abonos dos rapazes somam-se 460 euros de rendimento. Só para a renda são 250 euros mensais, a que se juntam as faturas da água, luz, gás e telefone. Pouco sobra para a alimentação e outras despesas, lamenta.
Em 2013 e 2014, o Município de Penafiel estabeleceu protocolos com o IHRU para disponibilizar 59 casas a famílias com carência habitacional, em regime de arrendamento apoiado, que foram entregues. Tendo conhecimento que havia mais 30 habitações disponíveis em Novelas, a Câmara reuniu com o IHRU em 2018 e propôs uma adenda ao protocolo. A proposta foi enviada em setembro desse ano, mas nunca recebeu resposta, garante o presidente da Câmara. "É lamentável que o IHRU tenha um conjunto de habitações novas, vazias e a degradar-se quando há 200 famílias a precisar de casa no concelho", critica.
Obras no exterior
Ao JN, o IHRU diz que é "o primeiro interessado no arrendamento da totalidade dos fogos". Refere que foi necessário realizar intervenções de reabilitação no exterior dos edifícios, seguindo-se agora obras nas partes comuns "com o pagamento de quotas extra de todos os condóminos". Só aí "estarão criadas as condições para o IHRU poder promover as obras de reabilitação dos 30 fogos que ainda estão disponíveis, conferindo-lhes as condições para as poder disponibilizar em arrendamento".
