
A presidente da Junta, a socialista Ana Rita Sencadas, denunciou a situação
Foto: Ana Rita Sencadas
Paredes pretas devido à humidade, baldes espalhados pelo chão para apanhar a água da chuva, soalho levantado nas salas de aula. Está assim a Escola Básica de Agro Velho, em Aver-o-Mar, na Póvoa de Varzim, onde estudam cerca de 200 crianças dos três aos 10 anos.
A presidente da Junta, a socialista Ana Rita Sencadas, decidiu denunciar a situação que considera "inaceitável". Os pais aplaudem. A presidente da Câmara, Andrea Silva, diz que as obras já estão previstas e acusa a jovem autarca de "alimentar ruído desnecessário".
"São evidentes os sinais de degradação: paredes com elevados níveis de humidade, infiltrações e a presença constante de recipientes para conter a água da chuva. Estas condições são inaceitáveis e não podem ser toleradas em pleno século XXI", afirma Ana Rita Sencada, num post publicado no facebook a denunciar a situação.

Foto: Ana Rita Sencadas
A presidente da Junta lembra que Aver-o-Mar é "das freguesias que paga mais IMI no concelho" e que o lugar de Agro-Velho, junto ao mar e a dois passos do centro da cidade, tem tido "um grande crescimento", que "gera milhões em receita para a câmara". "O mínimo que os averomarenses exigem é que os seus impostos se traduzam em condições dignas e serviços públicos de qualidade", frisa ainda, prometendo "continuar a denunciar publicamente estas situações".
Pouco mais de uma hora e meia depois, a própria presidente da Câmara, Andrea Silva, do PSD, respondeu à publicação. Diz ter recebido "com perplexidade" o post da presidente da junta e garante que lhe explicou, ontem, pessoalmente a situação. "As infiltrações e os problemas identificados naquela escola estão sinalizados e a ser acompanhados pelos serviços da Câmara, pela direção do Agrupamento e por intervenientes da comunidade educativa. Está prevista uma intervenção (...) Assim que as condições o permitam, a Câmara avançará com a resolução do problema".

Foto: Ana Rita Sencadas
Andrea Silva sublinha que a autarquia "não ignorou a situação" e vai mais longe: "A exposição pública de situações que estão identificadas, orçamentadas e em acompanhamento não contribui para a sua resolução e apenas alimenta ruído desnecessário".
No Facebook, as respostas de pais não tardaram. "Perplexos estão os munícipes quando se deixa chegar uma escola a este estado", afirma Cristiana Fernandes. "Como é que se permite que as crianças continuem a ter aulas nestas condições? Tinha coragem de enviar o seu filho para uma escola assim?", questiona Cristiano Araújo. "É vergonhoso!", acrescenta Marta Sousa. Já Jorge da Ponte questiona os milhões gastos numa Póvoa Arena que está "às moscas", enquanto chove nas escolas.

Foto: Ana Rita Sencadas
