
A "task-force" criada pela Liga foi contestada pelos bombeiros de Odemira
Foto: Mário Vasa
A "task-force" de emergência pré-hospitalar criada pela Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) para operar, no passado fim de semana na Grande Lisboa, mereceu duras críticas do comandante dos Bombeiros Voluntários de Odemira (BVO), que acusou António Nunes de liderar a "Liga dos Amigos" que divide para reinar.
Numa publicação nas redes sociais, Luís Oliveira começou por questionar se "o problema do socorro em Portugal ficou resolvido num só dia e se o território português se resume a Lisboa", lembrando que "há certas zonas do território que estão a mais de 100 quilómetros das unidades hospitalares" que deveriam ter tido o mesmo tratamento de reforço de meios. Na sexta-feira, a LBP anunciou a criação de uma "task-force" de ambulâncias dos bombeiros da Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais para socorro pré-hospitalar, sediadas na sede, para operar em regime de ambulâncias adicionais, das 8 às 20 horas.
Bombeiros há 35 anos, nove dos quais como comandante do Corpo de Voluntários da "Vila do Rio Mira", Moreira apontou o dedo à Liga, que "continua a dividir para reinar", e foi mais longe: "Temos uma Liga de Amigos e não uma Liga de Bombeiros", rematou.
O comandante deu como exemplo o caso de Odemira, devido à sua extensão e diferentes tipos de socorro aos doentes, onde a corporação faz transporte para três hospitais; o do Sudoeste Alentejano, a unidade de referência em Santiago do Cacém, a 75 quilómetros do Barlavento Algarvio; o de Portimão, a 90 quilómetros, e o de Beja, a 100 quilómetros.
O operacional lamentou que não tenham consultados os bombeiros a nível nacional e apontou o facto da "task-force" ter ficado sediada na Liga "para o show-off", defendendo que deveria ter sido criada e implementada "nas bases de apoio logístico da Autoridade de Proteção Civil que serve para reunir os meios para combate a incêndios".

Luís Oliveira, comandante dos Bombeiros Voluntários de Odemira (Foto: Direitos Reservados)
"Portugal não é Lisboa"
Questionado sobre se António Nunes e a sua direção deveriam sair, Luís Oliveira lembrou que recentemente "houve eleições e não se apresentaram alternativas", mas considerou que o Conselho Executivo da LBP "deveria ouvir mais os bombeiros da província, porque Portugal não é só Lisboa".
A 31 de agosto do ano passado, Luís Oliveira não poupou nas críticas ao Governo, a propósito da decisão de aumentar em 25% o valor pago aos operacionais envolvidos no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2025. "Não, muito obrigado", respondeu, na altura.
O comandante dos BVO sustentou que o Executivo estava a dar "esmolas" em vez de valorizar a classe, recordando à ministra da Administração Interna que "enquanto uns foram combater os incêndios para o Centro e Norte, outros ficaram a garantir o socorro e a combater incêndios nas suas áreas de atuação, integrados no mesmo dispositivo daqueles que foram".
