Crianças levam mantas para o frio. Escola em São Pedro da Cova "está a cair aos poucos"

Pais protestam contra falta de condições em Vila Verde
Foto: Associação de Pais
A Escola Básica e Jardim de Infância de Vila Verde, em São Pedro da Cova, Gondomar, esteve fechada a cadeado, esta segunda-feira de manhã, durante cerca de duas horas. O encerramento coincidiu com um protesto dos pais, que estão revoltados com a "falta de condições de segurança" daquele estabelecimento de ensino, que acolhe cerca de 130 crianças, com idades entre os três e os dez anos.
Susana Alves, presidente da Associação de Pais da Escola Básica e Jardim de Infância (EBJI) de Vila Verde, em São Pedro da Cova, Gondomar, que mobilizou o protesto, diz que encontraram a escola fechada a cadeado quando chegaram para se manifestar, esta segunda-feira de manhã. A GNR foi chamada e comprovou o impedimento, tendo acionado os bombeiros que cortaram o cadeado, cerca das 10.15 horas, reabrindo a escola.
Do lado de fora, dezenas de pais juntaram-se à porta da escola, apesar do frio e da chuva, durante cerca de duas horas, em protesto contra "a falta de condições" EBJI de Vila Verde. Estão "revoltados" com as condições daquele estabelecimento ensino, que dizem "não tem condições de segurança" para acolher as crianças.
Segundo a Associação de Pais, a "situação da escola é grave e preocupante". O edifício "está degradado, inseguro e a deteriorar-se dia após dia, colocando em risco a segurança das crianças." Sustentando que a escola "está, literalmente, a cair aos poucos", Susana Alves relatou vários tipos de problemas.
"Não se consegue ligar um aquecedor, a luz vai muitas vezes abaixo", disse a presidente da Associação e Pais da EBJI de Vila Verde. As salas são húmidas e frias. "Há alunos que levam mantas de casa e não podem tirar os casacos", revelou Susana Alves, contando que "não se pode tirar fotocópias porque o papel está húmido."
Pais protestam contra falta de condições em Vila Verde e dizem que há rachas nos muros e paredes (Foto: Associação de Pais)
Susana Alves contou que as crianças não têm condições para lavar as mãos ou fazer a descarga depois de usarem as casas de banho. Acresce que há "paredes e muros com rachas", revelou, pelo que os pais não se sentem seguros com a escola, que está em obras há cerca de ano e meio. "Deixamos os nossos filhos na escola e não ficamos tranquilos", disse, relatando que durante o fim de semana voaram algumas das chapas de proteção. "Se fosse em dia de aulas, podia haver um acidente", acrescentou, sustentando que a empreitada já devia ter terminado há cerca de meio ano.
Câmara reconhece atraso na obra
O presidente da Câmara de Gondomar, Luís Filipe Araújo, reconheceu que a obra "está bastante atrasada" e disse que a autarquia "vai continuar a pressionar o empreiteiro para resolver o assunto quanto antes." A obra, com um custo de cerca de um milhão de euros, foi adjudicada em abril de 20204, segundo dados da autarquia.
Luís Filipe Araújo admitiu que está "a par da situação" relatada pelos encarregados de educação, mas lembrou que as atuais condições climatéricas estão a provocar atrasos em dezenas de obras no concelho. "Neste momento, estão sete escolas em obras", o que implica um investimento de cerca de seis milhões de euros.
"Temos em Gondomar quase cem edifícios escolares, que recebemos em condições muito más. Estamos com muita obra a andar, mas temos muita ainda para caminhar", adiantou Luís Filipe Araújo. Sustentando que tem uma "lista de prioridades bastante comprida", o autarca gondomarense assinalou que "os municípios não têm garantia de financiamento por parte do Estado central."
Passagem de competências foi "presente envenenado"
Luís Filipe Araújo considerou a passagem de competências para as autarquias como "um presente envenenado", em particular na Educação. "O défice é tremendo", disse, elencando o edificado e a gestão de recursos humanos como as questões mais complexas. "Os municípios estão, a maior parte deles, a assumir, a suas expensas, estes encargos, na esperança de que mais à frente consigamos financiamento, mas isso não é garantido", lamentou.
"Se não dotar os municípios dos meios necessários para a gestão das escolas, mais valia ao Estado central ficar com essa responsabilidade", argumentou Luís Filipe Araújo. "Temos de dar de dar a cara todos os dias perante os agrupamentos de escolas e perante os pais, quando muitas vezes não temos garantias nenhumas do Estado", acrescentou o presidente da Câmara de Gondomar, lembrando que cabe a Lisboa "a responsabilidade de parte do financiamento das obras", conforme determina o decreto de transferência de competências.

