
A notícia da "sexta-feira trágica na praia Maria Luísa", em Albufeira, rapidamente chegou ao JN, que avançou com a informação de que uma "derrocada em praia do Algarve matou família do Porto". Tudo aconteceu na manhã do dia 21 de agosto, quando o desabamento de uma rocha com dez metros de altura, seis de diâmetro e várias toneladas matou cinco pessoas (um casal e duas filhas e uma outra mulher), ferindo outras três. O país ficou "em choque" e "acompanhou os trabalhos de salvamento através da televisão durante todo o dia".
O desabamento do leixão (rocha grande) matou o casal António e Anabela Fonseca, de 59 e 57 anos, e as filhas Mariana, de 26, e Ana Rita, de 31, residentes no Porto. Maria Emília Dias, de 37 anos, foi a quinta vítima mortal do acidente, no seu último dia de férias em Albufeira com o marido e as filhas, na altura com 16 e 11 anos.
Entre as causas da derrocada terá estado a degradação dos materiais, as marés vivas e um sismo que ocorreu três dias antes. Citando especialistas, nas edições posteriores ao desabamento, o JN escreveu que era "impossível atribuir culpas apenas a um fator", focando ainda a "falta de uma cultura de segurança" em Portugal.
No entanto, apesar de os especialistas defenderem que a queda de arribas no Algarve é "uma tragédia anunciada" e que pode acontecer a qualquer momento, muitos foram os turistas que continuaram a aproveitar as sombras das rochas, ao lado dos avisos de perigo.
"Mirones e turistas encheram o areal" e "derrocada não afasta veraneantes" eram os títulos das notícias acompanhadas de fotografias onde, lado a lado com as rochas que desabaram, estavam guarda-sóis e toalhas e pessoas a apanhar sol.
Aníbal Cavaco Silva, presidente da República na altura do acidente, estava de férias no Algarve e passou pela praia Maria Luísa. Pouco depois, José Sócrates, primeiro-ministro, também esteve no local e disse estar "impressionado" com o sucedido.
As notícias sobre o desabamento continuaram a ser publicadas 11 anos após o incidente. Em 2020, o Estado foi condenado a pagar mais de um milhão de euros aos familiares das vítimas. O Tribunal Administrativo e Fiscal de Loulé considerou que o Estado português falhou na vigilância e na sinalização da praia.
A sentença referiu que a responsabilidade pelas condições de segurança estava repartida entre a Administração da Região Hidrográfica do Algarve, o Instituto da Água e a Autoridade Marítima Nacional, que optaram por ignorar o estado perigoso em que o leixão se encontrava.
