Três feridos ligeiros, entre os quais uma criança de 8 anos, é o resultado de uma colisão de duas aeronaves, terça-feira à tarde, em Alpiarça.
As vítimas receberam assistência médica no Hospital Distrital de Santarém. Pai e filho, que sofreram apenas cortes no rosto, tiveram alta ainda durante a noite. A terceira vítima, que ficou ferida num dos olhos, foi transportada a uma unidade hospitalar de Lisboa, uma vez que em Santarém não há serviço de oftalmologia.
O acidente ocorreu pelas 18.45 horas e envolveu um Cherokee de quatro lugares, onde seguiam os três feridos, e um Cessna 172, que levava a bordo um instrutor e um aluno e que tinha como destino a Damaia, às portas de Lisboa. As duas aeronaves tinham descolado ontem à tarde do Aeródromo de Santarém. Por razões ainda desconhecidas, os aparelhos colidiram em pleno voo, quando uma delas sobrevoava por cima da outra, segundo o que o JN conseguiu apurar no local.
O Cherokee acabou por cair num campo de milho, partir-se ao meio e incendiar-se. No entanto, e apesar do aparato, os três ocupantes conseguiram sair dos destroços pelos seus próprios meios e pedir ajuda aos trabalhadores da quinta. A queda da aeronave provocou um pequeno incêndio que foi rapidamente debelado pelos bombeiros municipais de Alpiarça, os primeiros a chegar ao local do acidente. A segunda aeronave aterrou cerca de um quilómetro mais à frente, num outro campo de milho também da Herdade do Mochão do Inglês, tendo apenas perdido a hélice. Nenhum dos ocupantes sofreu qualquer ferimento, embora ambos tenham ficado em estado de choque.
No local estiveram 13 viaturas e 36 homens dos Bombeiros Municipais de Alpiarça e dos Voluntários de Almeirim e da Chamusca, além de militares da GNR e técnicos do Gabinete de Investigação de Acidentes com Aeronaves, a quem cabe apurar o que verdadeiramente esteve na origem deste acidente aéreo.
Márcio Silva, uma das pessoas que se encontrava na herdade quando ocorreu a colisão, contou ao JN que só se apercebeu que alguma coisa de anormal tinha ocorrido quando ouviu um grande estrondo. "Fui com o meu colega tentar perceber o que é que se tinha passado, quando demos de caras com os dois homens e o rapazinho já ao pé dos armazéns, com as caras cheias de sangue. Chamámos logo os bombeiros", recordou.
Para os trabalhadores da quinta, apesar de estarem habituados a ver os pequenos aparelhos a sobrevoar a zona (o aeródromo de Santarém fica a poucos quilómetros dali), não ganharam para o susto. "Quando percebi o que realmente se tinha passado, nem queria acreditar que ninguém tenha morrido. O avião ficou completamente destruído".
Durante o resto da tarde, à medida que a notícia se foi espalhando pela redondeza, foram muitos os curiosos que ali se deslocaram. Valter Pereira, presidente da Adega Cooperativa Mochão do Inglês, afirmou que foi a primeira vez que um acidente do género ali ocorreu.
