
O presidente da Câmara de Ílhavo, João Campolargo, nega as acusações
Foto: Maria João Gala / Arquivo
Transmissão em direto de linguagem em calão indigna líder da Assembleia Municipal, que fala também em insultos.
O presidente e o vice-presidente da Câmara de Ílhavo, João Campolargo e João Semedo, estão a ser acusados, pelo líder da Assembleia Municipal (AMI), Paulo Pinto, do PSD, de terem proferido insultos a membros daquele órgão. Em causa está uma conversa informal entre os dois autarcas – eleitos pelo movimento independente Unir para Fazer (UPF) –, no início da sessão da AMI, quando a transmissão online da mesma estava a começar e Campolargo e Semedo não se aperceberam de que o microfone estava aberto.
Na conversa entre os dois autarcas, ouve-se a utilização de linguagem em calão e da expressão “este palhaço”, entre outras menos claras. Em comunicado, Paulo Pinto fala em “declarações insultuosas, injuriosas, difamatórias, ofensivas e inaceitáveis, proferidas” pelo presidente e pelo vice-presidente da autarquia.
O presidente da AMI diz que se tratou de “um ataque consciente”, “vergonhoso e criminoso do ponto de vista jurídico, moral e institucional”. Além disso, acusa os membros do executivo camarário de terem tentado “pressionar os técnicos responsáveis pela gravação e transmissão da reunião, no sentido de eliminar essa parte do registo”. E garantiu que vai dar conhecimento formal do comunicado emitido a diversas entidades, entre as quais o Ministério Público e a Assembleia da República.
Nega acusações
Ao JN, João Campolargo garantiu que não se revê nas acusações. “Não vejo que a nossa conversa, minha e do vereador, tivesse uma relação direta com aquilo que se estava a passar. E já estivemos a recapitular se naquele momento estávamos a ver alguma coisa nos nossos telemóveis ou nos computadores, mas não percebemos”, explicou.
O edil lamentou, também, que Paulo Pinto não tenha falado consigo, antes da divulgação do comunicado na página de Facebook da AMI. “Há aqui a utilização de meios públicos para projeção política. Se ele acha que errámos, só tinha de nos ter chamado no final da sessão”, referiu.
Em comunicado, a UPF repudiou as acusações de Paulo Pinto, mas pediu “desde já desculpa àqueles que, de alguma forma, se poderão ter sentidos ofendidos”. E negou, também, a associação a “atos de censura ou manipulação”.
