A Câmara da Chamusca vai tentar resolver o problema dos níveis de arsénio na água de consumo público na freguesia da Parreira com uma intervenção no furo que serve a zona, visando isolar a camada geológica causadora do problema
Francisco Matias, vice-presidente da autarquia, disse à agência Lusa que o município tem em fase de adjudicação a intervenção que espera venha a solucionar um problema que tem origem geológica e que levou à interdição do consumo de água canalizada na Parreira quando o problema foi detectado, em Novembro último.
A intervenção visa impedir o contacto da água para consumo com a camada geológica causadora do problema, pelo que, à medida que o furo for sendo selado, vão sendo feitas análises até se verificar que não há contaminação.
Esta intervenção, que reduzirá a profundidade do furo, poderá ter como efeito uma redução do caudal, pelo que a autarquia está já a ponderar fazer a mesma operação num furo alternativo, que não tem sido utilizado e que passará a funcionar caso seja necessário, disse.
"Havia outras alternativas, mas optámos por este caminho por ser o mais rápido de executar", afirmou, frisando toda a colaboração e apoio técnico por parte do Instituto Regulador de Águas e Resíduos (IRAR).
Alteração dos parâmetros mínimos
Perante um problema de difícil resolução - gerado pela alteração dos parâmetros mínimos dos níveis de arsénio na água para consumo, imposta por directivas comunitárias, de 50 para 10 microgramas por cada litro -, o IRAR concedeu uma derrogação aos municípios da região para encontrarem soluções.
Segundo o relatório do IRAR relativo a 2006, nove concelhos do distrito de Santarém revelam, em 16 captações, níveis de arsénio acima do permitido, situando-se seis deles na zona Sul - Alpiarça, Benavente, Chamusca, Coruche, Rio Maior, Salvaterra de Magos - e três no Norte - Abrantes, Mação e Ourém.
No caso da Chamusca, a autarquia aconselhou a população da freguesia da Parreira (cerca de 1.400 habitantes) a não consumir água da rede nem para beber nem para cozinhar, uma vez que as análises têm apontado para valores da ordem dos 20 microgramas.
José Carlos Ferreirinha, vereador na Câmara Municipal de Alpiarça com o pelouro do Ambiente, disse hoje à Lusa que, tendo em conta a derrogação concedida pelo IRAR, a autarquia tem prosseguido os estudos iniciados em conjunto com o vizinho concelho de Almeirim, mas espera que uma solução definitiva seja já encontrada pela empresa Águas do Ribatejo, que irá gerir os sistemas de água e saneamento de sete municípios da Lezíria do Tejo.
A solução poderá igualmente passar pelo isolamento das camadas geológicas que contaminam a água ou, no limite, pela aplicação de equipamentos de absorção, a exemplo do que aconteceu em concelhos do Norte do país, onde os níveis da arsénio eram da ordem dos 200 microgramas, disse.
