"Este deve ser o único carro (Morgan4Plus) que esteve presente nas três edições do Grande Prémio. E se volto é porque gosto. Boa pista e público fantástico. E tive o prazer de correr com o Stirling", referiu, satisfeito, Rob Wells, enquanto acomodava três dias de intensas emoções na traseira de um furgão azul.
Antes de se fazer à estrada, para dois dias de viagem, aproveitou o tempo para descansar e gozar o ambiente das corridas, enquanto bebia chá, e mais chá com leite. O paddock do Grande Prémio Histórico do Porto é uma fonte inesgotável de histórias, e a toda a hora nos cruzamos com pilotos que vimos correr nos idos 80. Fosse nas pistas dos circuitos de Vila do Conde e Vila Real, ou nas classificativas do Rali do Portugal.
Carlos Lage ou Jorge Ortigão, por exemplo, que já fecharam há muito o capítulo "Desporto Automóvel" enquanto praticantes, não se conseguem distanciar de um bom paddock. E por lá andavam, recordando episódios das suas longas carreiras.
Jorge Ortigão, que se destacou nos ralis e aproveitou o circuito para promover um evento pelo qual é responsável, considerou a Boavista "uma pista maravilhosa, onde é preciso pilotar com muita cabeça". "Isto é um pouco como nos ralis. Eu sabia que nalguns troços podia exagerar um pouco mais, que não haveria grandes consequências. Noutros, ao mínimo erro tínhamos o precipício à nossa espera", referiu o antigo piloto, que deixou de correr em 1988.
O ar quente e passado do dia de ontem, assumiu particular importância quando se conduz, fechado num claustrofóbico habitáculo, como disso deu conta um cansado Miguel Pais do Amaral, após ganhar a primeira corrida da Taça de Portugal de Clássicos (Circuitos): "Tive de suar as estopinhas".
A corrida tinha sido difícil e "a pista é muito desafiadora, com poucos locais de ultrapassagem, como no Mónaco".
Na mesma corrida, Rui Alves, que conduzia um Ford Escort, lamentou apenas não ter concluído a corrida. "Estava a dar muito gozo, mas o motor foi abaixo. A pista melhorou bastante, embora isso possa não se notar para quem está assistir, e a chicane está bem melhor", afirmou o piloto.
A pista pode ser do agrado de todos, mas também provocou estragos e pregou alguns sustos. Rufino Fontes, na penúltima corrida do dia, destruiu o seu Alfa Romeo Alfasud logo no início da prova, ao sair em frente na rotunda da Anémona sem que se tenham notado sinais de travagem.
Aliás, esta corrida foi aziaga para a equipa "Fábrica Italiana Sport", pois dos quatro carros à partida apenas um concluiu a prova.
A festa do automóvel clássico vai mudar-se, no final deste mês, para o Circuito de Vila Real (24 a 26). Provas a mais em tempo de crise?
"Não creio. Estamos na melhor altura do ano para as corridas de automóveis. Com os calendários definidos, os pilotos já têm a sua época programada tendo em conta todas as provas", referiu um piloto.
