Faculdade de Medicina levanta suspensão a professor acusado de assédio por alunas

Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
Foto: Pedro Correia
A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) levantou, esta terça-feira, a suspensão provisória de um professor daquela instituição acusado por alunas, em outubro, de importunação nas redes sociais.
"A jurista [da Reitoria da Universidade do Porto] que fez o inquérito concluiu pelo arquivamento", avançou à Lusa o diretor da FMUP, Altamiro da Costa Pereira. Segundo declarou o responsável, a jurista concluiu que não havia "provas nenhumas, na prática, sobre assédio ou sobre disrupção seja na vida académica, seja fora da vida académica".
A 25 de outubro, em resposta à Lusa por mensagem escrita, o professor em questão garantia que nunca tinha assediado ninguém "pessoalmente ou através de meios digitais".
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O grupo de alunas da U. Porto que fez a denúncia contou, por sua vez, que o professor as seguia nas redes sociais, colocava likes (gostos) em fotos privadas, interagia com as stories (histórias em vídeo partilhadas) e mandava mensagens "inoportunas".
A conclusão do inquérito segue agora para o reitor da Universidade do Porto, António de Sousa Pereira, que é a figura que tem o poder disciplinar para arquivar o processo. "O processo ainda vai à Reitoria, mas acabei de levantar a suspensão do professor", disse o diretor da FMUP, acrescentando que o docente recomeça a trabalhar nos próximos dias, designadamente na vigilância de exames e orientações de teses de mestrado. "No dia 5, o professor já vai vigiar exames", adiantou.
Processo "nunca devia ter começado"
Questionado pela Lusa sobre se o processo termina de forma positiva, Altamiro da Costa Pereira assume que o processo "nunca devia ter começado" e relembrou que começou com uma "denúncia anónima" que "não apresentou factos suscetíveis de serem julgados por alguém de fora como configurando como qualquer crime de assédio".
"Estas coisas nunca são positivas para ninguém, a começar para o docente e pela imagem da Faculdade [de Medicina]", respondeu, reiterando que o "processo infelizmente nunca devia ter começado.
No ano em que a FMUP celebrou o seu bicentenário, o diretor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto escreveu que "2025 foi também um ano repleto de realizações académicas, científicas e culturais.
"O balanço de 2025 - este ano já mítico do nosso Bicentenário - é não só francamente positivo como representa, certamente, o período de maior desenvolvimento, quantitativo e qualitativo, da Faculdade nos últimos 50 anos", lê-se no sítio da Internet da FMUP.
Altamiro da Costa Pereira assinalou também que o ano de 2025 foi "pródigo em muitas e felizes celebrações, acrescidas de pontuais e lamentáveis deflagrações que conduziram a algumas desnecessárias confrontações institucionais, resultando em danos e situações jurídicas ainda sem resolução à vista".
Nas "deflagrações", o diretor da FMUP refere-se ao caso dos 30 alunos candidatos que não tiveram nota mínima para entrar no concurso especial de acesso para licenciados, mas que receberam um "e-mail" a informar que tinham sido aceites para o curso, sem a homologação do reitor.
A polémica do concurso especial de acesso ao Mestrado Integrado em Medicina na U.Porto veio a público em setembro, com uma notícia no semanário Expresso, onde o reitor da U.Porto denunciava ter recebido "pressões de várias pessoas influentes e com acesso ao poder" para deixar entrar na Faculdade de Medicina 30 candidatos que não tinham obtido a classificação mínima na prova (14 valores), nota essa exigida no curso especial de acesso ao Mestrado Integrado.
