O fado e a guitarra de Coimbra embarcam no "Basófias", todas as noites, a partir de quinta-feira e até final de Setembro. Na apresentação do projecto Rio de Fado, anteontem, até o presidente da Turismo de Coimbra cantou.
"Os estudos dizem que a primeira razão por que as pessoas vêm a Coimbra é a universidade e a segunda este imaginário à volta do fado. Temos de multiplicar os sítios onde se pode ouvir fado de Coimbra com qualidade", disse o presidente da empresa municipal, Luís Alcoforado, confesso "amador - no sentido de amar - da canção de Coimbra". Depois, cantou "Capa negra, rosa negra".
O projecto partiu da empresa com o mesmo nome, Rio de Fado. Pedro Lopes, um dos gerentes e também músico, destacou "a força" que esta música tem lá fora e, em tom de leve crítica, agradeceu aos executantes. Porque "por amor à camisola vão mantendo viva esta chama que é o fado de Coimbra".
"Precisávamos de uma estrutura como o fado de Lisboa tem. Aqui, o fado vai vivendo do amadorismo e a música tem uma força enorme", clarificou Pedro Lopes, no fim do espectáculo, que fez o barco parar, cerca de meia hora, no meio do Mondego.
Luís Alcoforado, antigo estudante da Universidade de Coimbra ligado, ainda, a um grupo de fados ("Praxis Nova"), duvida que essa via "profissionalizante" possa ser seguida. "Conheço meia dúzia de pessoas, em Coimbra, que se podem dedicar a isto em exclusivo", referiu, frisando, de seguida, que a canção de Coimbra está longe de moribunda. "Temos, hoje, guitarristas de altíssimo nível. E excelentes violas", disse.
Em Março, o barco panorâmico voltou de uma "fuga" para conservação e embelezamento. Renato Ladeiro, da OdaBarca (que tem estado ao leme nos últimos dois anos), prometeu animação e cumpriu. "Com esta programação, agora, em vez de ir ao cinema, pode ir ao 'Basófias'", brincou, anteontem à noite, findo o espectáculo inaugural.
"O rio está muito ligado ao fado. E a cidade está cada vez mais ligada ao rio". Foi assim que Pedro Lopes justificou a escolha do "Basófias" como palco deste projecto turístico. Por ali vão passar vários grupos da cidade, para 30 minutos de espectáculo com a torre da universidade em fundo. A entrada custa 15 euros por pessoa (metade, no caso das crianças). Além da música, há comida, bebida e o encanto de um passeio nocturno pelo Mondego.
