Presidente da Junta de Freguesia de Sernancelhe quer Finanças a investigar projecto de modernização administrativa, de meio milhão, que não cumpriu o seu principal objectivo: pôr as autarquias a trabalhar em rede.
"O projecto, que visava uma ligação efectiva entre os serviços da autarquia e as juntas, via intranet, acabou por ser um verdadeiro fiasco", afirma António Inácio, presidente da Junta de Sernancelhe. O autarca socialista, que já se queixou à Direcção-Geral da Administração Local (DGAL), não aceita que um investimento de meio milhão de euros, lançado em 2003, com o propósito de facilitar a vida aos cidadãos nas suas relações com a administração local, "tenha ficado pela compra de computadores, móveis e pouco mais".
"Todo o investimento feito parece-nos inútil, pois o projecto idealizado, da ligação via intranet, não tem as condições que foram inicialmente apresentadas. Ou seja, a ligação em rede pura e simplesmente não funciona", denuncia.
O autarca responsabiliza a Câmara Municipal de Sernancelhe (CMS) pelo "falhanço" do Projecto de Modernização Administrativa, integrado na DGAL, a que se candidataram as 17 juntas de freguesia do concelho.
"O Estado transferiu cerca de 17 mil euros e a Câmara outros 17 mil, o que totaliza mais de meio milhão de euros contando com todas as freguesias. Para nada", concretiza António Inácio.
"Com a desculpa da complexidade deste projecto, a Câmara levou as juntas a assinar um protocolo em que a gestão e a direcção do mesmo passavam a ser da sua exclusiva responsabilidade", acrescenta.
"As juntas foram-se limitando a liquidar a facturação, que as empresas lhes apresentavam, com valores idênticos para todas. Sendo que o equipamento colocado em cada uma delas rondou os dois mil euros", conclui.
O autarca denunciou a situação à DGAL que informou, mais tarde, ter transferido o processo para a Inspecção-Geral de Finanças (IGF) em Agosto de 2006. "Em Março do ano passado, pedimos o ponto da situação à IGF, mas continuamos à espera de uma resposta", critica o presidente da Junta de Sernancelhe.
Nuno Franklin Silva, presidente da Junta de Fonte Arcada pelo CDS-PP, partilha as preocupações do colega de Sernancelhe. "Os 7500 contos, na moeda antiga, que as juntas receberam, deram, no fundo, para cada uma delas comprar um computador, uma mesa, armários e cadeiras. A componente da inovação não se viu. E a intranet funcionou apenas meio ano", critica.
Fátima Salgado, presidente da Junta de Sarzeda, eleita pelo PSD, garante que o sistema de modernização "funcionou bem durante muito tempo". "Só há sete meses estamos sem rede. Chegámos a falar com a Câmara por videoconferência. Alguns colegas não o conseguiram fazer por não saberem", garante. "Há gente conflituosa que gosta de pôr maldade em tudo", acusa Fátima Salgado, que admite não ter pontualmente Internet "devido a uma avaria".
