Filhos do guarda-freio que morreu no Elevador da Glória vão receber bolsa de 160 euros

Perícias no Elevador da Glória
Foto: Patrícia de Melo Moreira / AFP
Os dois filhos do guarda-freio André Marques, que morreu no acidente do Elevador da Glória, em Lisboa, vão receber, cada um, cerca de 160 euros por mês até concluírem o ensino secundário, revelou esta quinta-feira a empresa Carris.
Segundo o regulamento interno do Programa de Bolsas de Estudo da Carris, aprovado pelo conselho de administração da empresa, os filhos do guarda-freio André Marques vão beneficiar de Bolsas de Apoio Especial, "com efeitos retroativos ao início do presente ano letivo (2025/2026), e compreende, para cada um dos descendentes, um valor mensal de 30% do IAS (Indexante de Apoio Social) até concluírem o ensino secundário e um valor mensal de 50% do IAS quando ingressarem no ensino superior".
O valor do IAS para 2026 foi fixado em 537,13 euros, pelo que 30% corresponde a 161,13 euros e 50% corresponde a 268,56 euros.
Num comunicado enviado à Lusa, a Carris indicou que "o regulamento hoje [quinta-feira] aprovado tem aplicação imediata, após consulta da Comissão de Trabalhadores".
Considerando que passaram seis meses desde o acidente, cada um dos dois filhos do guarda-freio André Marques tem a receber 966,78 euros, uma vez que a medida tem efeitos retroativos, sendo que, depois, o apoio é disponibilizado mensalmente.
O Elevador da Glória, muito procurado por turistas no centro de Lisboa, descarrilou no dia 3 de setembro, com uma das duas cabinas a embater violentamente contra um edifício, provocando 16 mortes e mais de 20 feridos, entre portugueses e estrangeiros de várias nacionalidades.
O guarda-freio André Marques, de 40 anos, foi uma das vítimas mortais do acidente, deixando dois filhos menores.
Na quarta-feira, a Câmara Municipal de Lisboa, presidida por Carlos Moedas (PSD), reconheceu que a bolsa escolar destinada aos filhos do guarda-freio André Marques ainda não tinha sido paga.
Essa informação foi dada pela governação PSD/CDS-PP/IL em resposta a questões da vereação do PS, no âmbito de uma reunião privada do executivo camarário.
Esclarecendo a situação, a empresa municipal Carris explicou que "o regulamento que permite formalizar a atribuição das referidas bolsas de estudo, com caráter retroativo", estava agendado para aprovação na reunião de hoje do conselho de administração da Carris.
O regulamento interno do Programa de Bolsas de Estudo da Carris "é destinado aos filhos de trabalhadores no ativo e compreende três tipologias distintas de bolsas", inclusive Bolsas de Apoio Especial para "filhos de funcionários falecidos no exercício das suas funções, independentemente do nível de ensino frequentado".
Há também Bolsas de Mérito Académico para estudantes do ensino secundário (10º, 11º e 12º anos) e ensino superior, que se destaquem pelo seu desempenho escolar, dedicação e percurso académico, e Bolsas de Apoio Social para estudantes do 1.º ano de escolaridade até ao ensino superior, cujos agregados familiares possuam menores recursos económicos, indicou a Carris.
Segundo a empresa municipal de transporte público, este programa de bolsas de estudo pretende "apoiar o desenvolvimento pessoal e académico dos jovens filhos de trabalhadores, fomentar o sucesso escolar e promover a igualdade de oportunidades, minimizando os encargos financeiros das famílias".
