Gaia diz que conseguiu proteger 200 casas e empresas das demolições para o TGV

Projeto original coloca estação de TGV de Gaia em Santo Ovídio
Foto: Pedro Correia
O vice-presidente da Câmara de Gaia, Firmino Pereira, revelou que a autarquia já conseguiu que o consórcio responsável pela construção da linha de TGV execute o troço da VL3 (via de ligação da Avenida da República até ao Mar) entre Santo Ovídio e a antiga EN 1-15, em Vilar do Paraíso, onde o município pretende ver implantada a estação, e que o traçado ferroviário de alta velocidade seja feito "em túnel em grande parte do território do concelho", protegendo desta forma duas centenas de habitações e empresas.
O autarca frisou que reuniu-se recentemente com representantes do consórcio construtor (AVAN Norte, liderado pela Mota-Engil). Segundo Firmino Pereira, o consórcio "quer apresentar até 15 de Abril o projeto de execução para que a APA [Agência Portuguesa do Ambiente] se pronuncie até final de Junho, sob pena de estar comprometido o financiamento deste troço da Alta Velocidade".
"A linha de alta velocidade é uma prioridade para o país e a Câmara de Gaia estará neste assunto numa atitude cooperante sem colocar em causa o interesse do município", sublinha Firmino Pereira, cujas declarações surgem como resposta às críticas feitas, um dia antes, pelo vereador socialista João Paulo Correia. O vice-presidente da Câmara de Gaia diz que o vereador do PS "desconhece esta questão determinante no processo, os prazos, que se não forem cumpridos podem perigar a primeira fase da alta velocidade".
O líder da Oposição PS na autarquia gaiense tinha dito que a estação de alta velocidade "está decidida" [em Santo Ovídio] e "não pode ficar refém de amuos", considerando que o presidente da Câmara, Luís Filipe Menezes, não pode deixar cair uma conquista histórica. "A estação em Vila Nova de Gaia está decidida há mais de três anos. Faz parte de um concurso público mais alargado, da ligação Porto-Lisboa. É o maior investimento público de sempre. Não pode ficar refém de amuos ou estados de alma", escreveu João Paulo Correia, em comunicado citado pela Lusa. Recorde-se que Menezes reiterou a discordância quanto estação em Santo Ovídio.
O vereador socialista afirma, contudo, que deve ficar claro que "Vila Nova de Gaia não pode perder a estação de alta velocidade" nem "o comboio da modernidade e do progresso", considerando a infraestrutura "das maiores conquistas da história do concelho, só com paralelo à linha ferroviária e à autoestrada A1". João Paulo Correia confirmou ainda que, após o chumbo da Agência do Ambiente à estação proposta pelo consórcio AVAN Norte em Vilar do Paraíso, em dezembro, "o consórcio está a preparar um novo projeto de execução para submeter à APA, de acordo com o estudo prévio, ou seja, a estação em Santo Ovídio".
Firmino Pereira diz que João Paulo Correia "fala de tudo ao mesmo tempo sem profundidade e demonstrando desconhecimento dos assuntos". E reiterou que a solução inicial da estação em Santo Ovídio suscita muitas dúvidas: a segurança numa estrutura subterrânea com muita profundidade, as duas dezenas de casas que vão ser demolidas, a programação da obra atendendo ao seu impacto, e a ausência no projeto de um parque de autocarros fundamental para assegurar a intermodalidade.
"Um assunto tão estratégico para gerações, não está ao alcance da opinião superficial e de mera oportunidade do vereador João Paulo Correia", assinalou Firmino Pereira. Assim, para a solução de Vilar do Paraíso, estará já garantida a construção de um acesso rodoviário.
Ainda na vertente rodoviária do projeto, o vice-presidente da Câmara de Gaia também considerou "inaceitável" a construção da ponte para carros (à cota baixa) em Oliveira do Douro: "Não serve os interesses estratégicos de mobilidade de Gaia e não estão assegurados os acessos à malha urbana, que custam cerca de 40 milhões de euros ao município".

