
Fundada em 1936, confeitaria tornou-se numa referência da doçaria regional
Foto: Colonial / Facebook
Grupo proprietário garante continuidade da marca sem loja física e Livre alerta para a perda de identidade e vida urbana.
A pastelaria Colonial, a mais antiga confeitaria de Barcelos, encerrou portas no início deste ano, pondo fim a uma presença histórica no Largo da Porta Nova, em frente ao Templo do Bom Jesus da Cruz. O encerramento do emblemático espaço, que durante décadas foi ponto de encontro de várias gerações, deixa em aberto o futuro da loja num dos locais mais simbólicos do centro histórico da cidade.
Fundada em 1936, então com a designação de café Colonial, a casa tornou-se uma referência incontornável da doçaria local e regional. Entre os produtos mais emblemáticos estavam as Queijadinhas de Barcelos, reconhecidas como uma das Sete Maravilhas Doces de Portugal e facilmente identificáveis pela sua forma única de estrela de cinco bicos, que fizeram da Colonial um ponto obrigatório para residentes e visitantes.
Numa publicação divulgada nas redes sociais, o Grupo Valor Favorito, que adquiriu A Colonial em 2022, esclarece que o encerramento não significa o fim da marca, mas apenas o término do ponto de venda físico. Segundo os proprietários, a insígnia irá apostar cada vez mais na área dos eventos corporativos, serviços de catering e outros serviços especializados, mantendo a produção e comercialização dos seus produtos através das lojas Valor Favorito, em Alvelos e Viatodos, no concelho de Barcelos.
O grupo garante que os produtos tradicionalmente associados à pastelaria Colonial continuarão disponíveis nessas duas lojas, assegurando a continuidade de uma oferta que marcou gerações. Ainda assim, permanece desconhecido o destino que será dado ao espaço no Largo da Porta Nova, sendo certo que toda a publicidade exterior com as referências à Colonial já foi retirada.
Reação política ao encerramento
O fecho da histórica pastelaria motivou também uma reação política. Em comunicado, o núcleo do Livre Barcelos lamenta o encerramento, considerando que se trata da perda de "um pedaço da identidade de Barcelos". Para o partido, a Colonial foi, durante gerações, um espaço de memórias partilhadas entre famílias, amigos e vizinhos, representando muito mais do que um simples estabelecimento comercial.
"O desaparecimento do comércio local retira alma, proximidade e diversidade à cidade", refere o Livre, defendendo que Barcelos deve ser encarada como um bem comum, ao serviço de quem a vive e constrói todos os dias. O partido sublinha ainda que defender o comércio tradicional é preservar a memória coletiva e garantir futuro à vida urbana do concelho.

