Jovens do Minho levam ajuda a quem precisa de reconstruir casas em Leiria

Na primeira viagem, amigos (três na foto) levaram mantimentos e geradores
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Grupo de Caminha, Cerveira e Ponte de Lima, que no fim de semana passado rumou às zonas mais afetadas pela depressão Kristin com comida, geradores e materiais, voltou a fazer-se à estrada esta sexta-feira. Amigos criaram uma angariação de fundos e querem ajudar a população a conetar-se com empresas de construção.
Quando, há mais de uma semana, começaram a surgir as imagens da destruição e a chegar os relatos de desespero da zona de Leiria, Leonor, Luís, Pedro e Renata, todos do distrito de Viana do Castelo, não viram outro caminho senão o de fazerem-se a ele. "Nós, que vemos situações de guerra e catástrofes pela televisão e pelo telemóvel todos os dias, e que dizemos que nada podemos fazer, agora tínhamos uma tragédia a três horas de casa que afetava amigos e locais queridos para nós. Decidimos que tínhamos de ir. Que não podíamos ficar só pelo lamento, tínhamos de fazer alguma coisa", explicou Leonor Castro ao JN.
A ideia, "nascida de uma vontade genuína de ajudar", não tardou a passar à ação, "que se transformou numa mobilização solidária entre amigos e conhecidos espalhados pelo país". Leonor (29 anos) e Luís Ribeiro (33), ambos de Caminha, começaram a partilhar a mensagem e a fazer contactos para conseguirem uma carrinha que os levasse até Leiria. Foi quando começaram a chegar os primeiros donativos, através de grupos de WhatsApp e Instagram, acabando por levar, há alguns dias, à criação de uma página de angariação de fundos na plataforma GoFundMe.
O grupo, a que se juntou Renata Castro (25 anos), de Vila Nova de Cerveira, e Pedro Morais (26), de Ponte de Lima, contou com a ajuda de um núcleo local da ReFood, que contribuiu com comida, bem como das Uniões de Freguesias de Reboreda e Nogueira e de Campos e Vila Meã, ambas em Cerveira, que aceitaram emprestar duas carrinhas, explicou o ponte-limense ao JN.
No passado sábado de manhã, fizeram-se à estrada com 750 euros no bolso, para mantimentos e um gerador - que foram comprar a Espanha antes de rumarem a Sul. "Como os donativos não paravam de cair, acabámos por trazer seis geradores. Estão todos operacionais a ajudar pessoas em Alvaiázere, Santa Catarina da Serra, Parceiros, Casal Galego (Marinha Grande) e Vieira de Leiria", explicou.
"Levámos ainda comida, produtos de higiene, lonas, pás, luvas e outros materiais de construção e ajudámos na distribuição de cabazes em Vieira de Leiria por famílias sinalizadas", com a ajuda da amiga Ana Santos (29 anos), que é do concelho de Leiria.

Impactados pelo rasto de destruição que varreu a zona de Leiria, os jovens minhotos, que se conheceram numa ONG local e que no início da semana regressaram à base, vão esta sexta-feira novamente para as zonas afetadas pelo mau tempo, prevendo fazer o mesmo no fim de semana seguinte.
"Temos agora um GoFundMe para ajudar as pessoas a reconstruir as suas casas. Sabemos infelizmente que a onda de solidariedade incrível que se gerou se vai esgotar daqui a umas semanas, mas a população continua a precisar de nós e queremos conetar famílias desfavorecidas com empresas de construção da zona para pagar tudo o que precisarem", acrescentou.
Desde que a página de GoFundMe foi criada, o grupo angariou cerca de 700 euros, que se juntaram aos mais de dois mil que antes já tinha recolhido.

