
Ricardo Ferreira, investigador do INL, e Paula Galvão, da unidade de Negócio e Relações Estratégicas
Foto: Artur Machado
Investigação em Braga quer ajudar Europa a aumentar produção de semicondutores até 2030.
O Laboratório Internacional Ibérico de Nanotecnologia (INL), em Braga, está muito apostado em ajudar a aumentar a produção europeia de semicondutores e contribuir para que Portugal se posicione na aplicação de tecnologias quânticas e emergentes.
Segundo o líder do grupo de investigação em Spintrónica no INL, Ricardo Ferreira, este é um campo de “risco elevadíssimo” e “oportunidades muito grandes”. “Não podemos apontar para onde outros já estão, temos de diferenciar-nos e prepararmo-nos para o que aí vem, amanhã e nos dias seguintes”, assegura ao JN.
O instituto sediado em Braga integra três linhas piloto do “European Chips Act”, um programa da União Europeia criado com o objetivo de desenvolver projetos de investigação e inovação no campo dos semicondutores, potenciando a produção e reduzindo a dependência externa. O objetivo do “Chips Act” é aumentar a participação europeia no mercado global de semicondutores de 8% para 20% até 2030.
Uma das linhas principais, a APECS, tem como grande propósito o “desenvolvimento de tecnologias que complementem a eletrónica convencional”, fazendo-o “mais depressa e melhor”, nomeadamente através das tecnologias de encapsulamento avançado e de integração heterogénea, segundo Ricardo Ferreira.
Reter talento
Também no âmbito do “Chips Act”, o INL é parceiro em projetos que visam a retenção de talento e a disponibilização de conhecimento nessa área a empresas, startups e academias, salientando-se a coordenação do centro de competências em Portugal (Poems). O INL está ainda envolvido na “plataforma de design” de semicondutores. “Todas estas iniciativas são complementares e sinergéticas”, salienta Ricardo Ferreira.
Aumento da procura
A procura crescente por dispositivos eletrónicos e a interrupção da produção especializada durante a pandemia, particularmente visível no setor automóvel, evidenciaram a necessidade de garantir a capacidade de resposta das cadeias de produção europeias. Os semicondutores estão cada vez mais presentes no dia a dia, dos computadores à indústria automóvel, das energias renováveis aos equipamentos para a saúde.
No caso do Poems, trata-se de um consórcio que junta 16 entidades – do sistema científico-tecnológico, universidades e centros de investigação – que pretende reforçar a produção essencialmente através do aumento da capacidade de inovação das empresas e da formação de novos profissionais. O Poems tem um horizonte temporal de quatro anos, até 2029, mas já com a perspetiva de ser possível prolongar o projeto.
“Queremos fazer com que a indústria nacional seja mais inovadora e mais competitiva, posicionando Portugal a nível internacional através do nosso expertise”, resume ao JN Paula Galvão, da unidade de Negócio e Relações Estratégicas do INL, salientando as “competências-chave” relacionadas com a área do design, do packaging, dos sensores, da eletrónica flexível e da fotónica.
Mobilizar e formar
Enquanto coordenador deste projeto, o INL tem, segundo Paula Galvão, um papel central na mobilização dos principais intervenientes nacionais ao longo da cadeia de valor dos semicondutores, tornando o setor “mais resiliente e competitivo”.
Formação, apoio técnico e apoio a startups são três eixos fundamentais de atuação para ser possível “potenciar a capacidade de inovação” e “captar estudantes para a carreira de semicondutores”.
Saber mais
Nanociência
Criado em 2005, por acordo dos governos de Portugal e Espanha, o INL é um dos principais centros mundiais dedicados à nanociência.
Vanguarda
Desenvolve investigação de vanguarda em áreas como a nanoeletrónica, a fotónica, os materiais avançados e as tecnologias de semicondutores.
Eficiência
O laboratório aposta na criação de tecnologias energicamente eficientes e materiais avançados, essenciais para o futuro da mobilidade, telecomunicações e inteligência artificial.
Referência
O INL é uma referência em micro e nanofabricação.
Recursos
400 investigadores de cerca de 30 nacionalidades integram o INL e trabalham numa vasta gama de áreas científicas.

