
Prova de resistência levou 1562 bombeiros a subir as escadas do Bom Jesus, em Braga
Miguel Pereira
Participantes carregaram 30 quilos de equipamento, mas alguns ainda tiveram forças para arcar com os filhos ao longo dos 573 degraus do Bom Jesus.
A sexta edição da prova “Escadórios da Humanidade”, organizada pela Associação Família de Elite, no Bom Jesus, em Braga, este sábado, contou com 1562 bombeiros inscritos, batendo o recorde de participações. A prova consiste em subir as escadas do Bom Jesus, no menor tempo possível, com equipamento completo de combate a incêndios, incluindo a botija de oxigénio. O melhor tempo (cinco minutos e trinta segundos) foi de Edilson Gomes, dos Bombeiros Sapadores de Lisboa, entre os homens, e de Sónia Cancela, dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim, nas mulheres. Mas há quem não venha orientado para a vitória, Frederico Loureiro, bombeiro sapador em Viseu, fez 11 minutos com o filho de quatro anos às costas e houve mais “bombeirinhos” a fazer a subida com os pais.
“Ele diverte-se, eu também e é um dia diferente”, refere o sapador viseense, ainda cansado da subida. “É o segundo ano que participo, desta vez foi um bocadinho mais difícil porque ele está a crescer e pesa mais”, reconhece. Além dos 30 quilos do Equipamento Individual de Proteção, Frederico carregou, às cavalitas, os 17 quilos do pequeno Lourenço. Os Sapadores e os Voluntários de Viseu vieram juntos, numa delegação de nove participantes. São apenas mais duas das 260 corporações de nove países (Espanha, França, Polónia, Ucrânia, Roménia, Brasil, Cabo Verde e Venezuela) que estiveram este sábado em Braga para pôr à prova a resistência física, mas sobretudo para conviver.
Luís Filipe, bombeiro aposentado do quadro de honra dos Voluntários de Caldas das Taipas, é um dos que aproveitou esta oportunidade para conviver com antigos companheiros. Em 2021, um diagnóstico de Parkinson e fibromialgia mudou-lhe a vida. “Deixei de poder correr para o quartel quando ouvia a sirene”, recorda emocionado. Este sábado, voltou a envergar a farda para subir o escadório, encerrando a prova debaixo de uma ovação generalizada. Luís venceu os 616 metros de desnível, num tempo a rondar os 15 minutos, sem o pesado equipamento, com a ajuda da bengala e o apoio de milhares de colegas, familiares, amigos e simpatizantes. “Queria provar que a doença não faz de mim um inválido e chamar a atenção para esta profissão que além de ser mal paga não é considerada de risco nem de desgaste rápido”, referiu, ainda a recuperar o fôlego.
Na Madeira não houve tempo para treinar
Quando Luís Filipe chegou ao santuário, os nove “atletas” dos Bombeiros Voluntários de Câmara de Lobos já estavam a descansar há muito tempo. Manuel Pereira fez seis minutos e cinquenta segundos, o suficiente para ficar em 11º lugar. “Com a situação na Madeira, tivemos pouco tempo para treinar. A preparação, este ano, foi no terreno”, conta. “Normalmente, treinamos uma vez por semana, nas veredas, com equipamento completo e botija de aço, pesando mais cinco quilos que o normal”, descreve.
Íris Morais e Edgar Moura são bombeiros voluntários em Borba e fizeram a subida de mão dada com o filho Edgar (junior), de sete anos. “Atendendo à situação, fizemos à volta 19 minutos, não foi um mau tempo”, considera Edgar. Íris é bombeira há 26 anos, Edgar há 22 e o Edgar mais novo, equipado a rigor, também quer ser “bombeiro, polícia ou jogador de futebol”. O pai avisa-o que, “se tiveres jeito é melhor seres futebolista, porque as outras duas não dão dinheiro”.

