
Avaliação dos alunos envolveu várias medições
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Estudo realizado com 3365 alunos mostra 14% de obesidade. Números são "preocupantes" e surpreenderam os próprios responsáveis pelo trabalho
Um estudo realizado em 52 escolas do concelho de Braga, que abrangeu 3365 alunos, revela que 37,42% das crianças que frequentam o 1º ciclo do ensino básico na rede pública têm excesso de peso e que 14,06% são obesas. Os resultados do Programa Municipal de Vigilância Nutricional Infantil, apresentados esta segunda-feira, são "preocupantes" e surpreenderam até os próprios responsáveis pelo trabalho.
"Estava consciente que os resultados não seriam os que gostaríamos de obter, mas não esperava que fossem estes, que são bastante preocupantes", resumiu a vice-presidente da autarquia, Sameiro Araújo, que tutela o pelouro da Saúde. De saída de funções, a autarca salientou tratar-se de uma "amostra significativa" e disse que é "necessário intervir já". "Não se pode esperar pelo próximo ano letivo", alertou.
De um total de 63 escolas e 6260 alunos, o estudo abrangeu 52 escolas e 3365 alunos, ou seja, 67% do total, tendo sido feita uma avaliação antropométrica - com pesagem, medição da altura e duas medições do perímetro da cintura - e aplicado um questionário com dados sociodemográficos do agregado familiar, relativos aos hábitos da criança e de frequência alimentar.
"Os resultados mostram-nos uma percentagem de 37,43% de crianças com excesso de peso e de 14,06% com obesidade. Sabíamos que este era um problema, mas não conhecíamos a magnitude. Foi uma surpresa desagradável", admitiu a coordenadora do trabalho, Joana Russell Sampaio, na apresentação dos resultados. A nutricionista, que integra a Câmara, salientou o facto de estes números estarem acima da média nacional (31,9%), que já se encontra acima da média europeia, e da própria região norte.
Segundo Joana Russell Sampaio, o estudo revela que "quanto mais velha a criança, mais propensão tem para o excesso de peso". "Há também uma propensão maior nas escolas semiurbanas, em comparação com as urbanas, o que contraria aquilo de que estávamos à espera", referiu. Já as escolas de ensino articulado distinguem-se pela positiva, uma vez que têm menos alunos com estes problemas.
Joana Russell Sampaio vincou que "há muita coisa para alterar e muita coisa em que atuar", nomeadamente em termos de atividade física, sono e hábitos alimentares. Este trabalho é, segundo a coordenadora, o ponto de partida para a fase de intervenção no sentido de combater estes problemas.
Números
31,9% das crianças têm excesso de peso e 13,5% são obesas em Portugal, de acordo com os mais recentes dados.
42 crianças abarcadas neste estudo têm baixo peso. "É algo que também deve merecer atenção", afirmou Joana Russell Sampaio.

