
Leiria foi um dos concelhos mais afetados
Foto: Pedro Correia
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) informou, esta quarta-feira à tarde, que há registo de quatro vítimas mortais relacionadas com a depressão Kristin. Em Silves, um acidente de carro associado ao mau tempo eleva o número de mortos para cinco.
Um dos casos resultou da queda de uma árvore sobre um automóvel, em Vila Franca de Xira. Outros três ocorreram em Leiria: duas vítimas em Carvide, uma atingida por uma chapa metálica e outra presa na estrutura de uma habitação; e uma terceira em Fonte Oleiro, encontrada em paragem cardiorrespiratória numa obra, que a Proteção Civil relacionou também com o mau tempo.
Em Silves, uma mulher de 85 anos, de nacionalidade holandesa, morreu, esta quarta-feira, na sequência de um acidente de carro em Algoz. Segundo apurou o JN, a vítima ligou ao marido a dizer que sofreu um acidente e caiu a uma ribeira, dentro da viatura. O companheiro ligou para o 112, que mobilizou os meios para as buscas. A mulher acabou por ser encontrada já sem vida, esta tarde. O caso foi registado pelo Comando Sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Algarve como sendo relacionado com o mau tempo.
A Câmara da Marinha Grande também avançou, em comunicado, a morte de um homem de 34 anos na freguesia de Vieira de Leiria.
Autarca de Leiria apela ao Governo para decretar estado de calamidade
O presidente da Câmara de Leiria, um dos concelhos mais afetados pelo temporal, onde a população está sem eletricidade e abastecimento de água, apelou hoje ao Governo para que decrete o estado de calamidade.
"O primeiro apelo que fazia era que o próprio Governo equacionasse de imediato o estado de calamidade para podermos acudir a todos os prejuízos e recolher, na nossa região, os meios necessários para recuperar a vida normal do nosso concelho", adiantou Gonçalo Lopes, pedindo que o foco da E-Redes, da Proteção Civil e de outras equipas "seja concentrado em Leiria".

Foto: Pedro Correia
De acordo com o presidente, a "cidade de Leiria foi atingida de maneira drástica naquilo que são os seus bens públicos e privados". "Temos espaços públicos virados de pernas para o ar. É algo que vai obrigar a um esforço muito grande de recuperação nos próximos meses. O impacto é semelhante àquilo que pode significar uma bomba dentro da nossa cidade, com destruição maciça", revelou o autarca socialista.
Entre os muitos equipamentos afetados pelo temporal, estão também igrejas, estádios, piscinas, casas e esplanadas. "Algo nunca visto, provocado pelo fenómeno que aconteceu entre as 3 e as 5 horas da manhã e para o qual não conseguimos ter resposta", disse.

Foto: Pedro Correia
Sem eletricidade e sem água
O autarca perspetiva que a maioria da população continue sem abastecimento de água e eletricidade, durante os próximos dois dias.
"A E-Redes está a mobilizar todos os recursos nacionais para Leiria. Não vamos ter eletricidade durante este período e, portanto, todo o apelo que deixava é que empresas e instituições que tenham geradores disponíveis e que possam ceder para acudir às populações mais necessitadas, como lares e a PSP. Temos uma linha já dedicada para fazer uma lista de prioridades para colocar o nosso concelho rapidamente com energia", reforçou.

Foto: Pedro Correia
Segundo o presidente, a "questão da eletricidade tem consequências nas comunicações, no fornecimento de água". Por isso, apelou à população para que seja "muito racional e equilibrada nos consumos" de água e bens alimentares.
Um dos principais problemas, explicou, foram os danos nas linhas de alta tensão, "que foram profundamente afetadas na região", e, por isso, "as subestações de Leiria, todas elas, estão inoperacionais". A reposição da energia será idêntica ao que se verificou no apagão.

