
Mau cheiro foi sentido também no centro de Lisboa
Foto: Arquivo Global Imagens
O mau cheiro que se faz sentir na região de Lisboa, há mais de uma semana, deverá desaparecer amanhã, quarta-feira, garantiu ao JN Sofia Teixeira, investigadora do departamento de qualidade do ar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.
O odor a acre e azeitonas abrange uma "área extensa", desde Lisboa a Sintra, Almada, Mafra, Ericeira e Sesimbra, uma situação "atípica". "Nunca tinha sido sentido em toda a região de Lisboa e Vale do Tejo e este odor não é muito comum nesta região", observa.
O cheiro começou a invadir as ruas da capital e de outros municípios há uma semana, mas esta semana intensificou-se, gerando várias críticas nas redes sociais. A investigadora do departamento de qualidade do ar explica que começou a sentir-se mais devido aos "ventos do sul e sudeste", que o trouxeram, e a "uma baixa inversão térmica que aprisionou os gases a uma baixa superfície da atmosfera".
"Também tivemos uma intensidade de vento bastante moderada que fez dispersar os odores para uma extensão mais alargada", esclarece ainda. Desde ontem, que "os ventos estão a mudar para norte e nordeste" e, por isso, "esta quarta-feira a perceção de odor já não se deverá sentir".
Sem impacto na saúde
O departamento de qualidade do ar da Universidade Nova de Lisboa está a identificar os locais onde o odor foi sentido para selecionar possíveis fontes emissoras, que deverão localizar-se "mais a sul da Margem Sul, sendo o Alentejo uma hipótese". A extensão geográfica do odor está a dificultar a detetação da sua origem.
"Normalmente, estas situações são mais concentradas num só espaço, porque temos uma indústria ou estação de tratamento de águas perto de casa, e conseguimos identificar a origem. Nunca nos chegou um caso de um cheiro com uma extensão tão alargada e, por isso, está a intrigrar-nos mais", diz.
O cheiro pode ter origem em aterros sanitários, mas é mais provável que venha de indústrias do processamento do bagaço de azeitona. "Tratando-se de um aterro, a perceção de odores é muito mais localizada", explica, acrescentando que "este tipo de odores não tem impacto direto na saúde".
