Inspecção-Geral da Administração Local recebeu uma denúncia que lança suspeitas sobre a reflorestação de um baldio. A Junta de Freguesia de Sernancelhe já foi chamada a explicar como está a ser gasto um milhão.
O ofício da IGAL, datado de 9 de Janeiro, pedia explicações à autarquia, com base numa denúncia anónima, sobre a forma como está a ser aplicado o montante de 1.011.993 euros na reflorestação do baldio, de 450 hectares, em pleno perímetro florestal da serra da Lapa.
A Junta de Freguesia de Sernancelhe (JFS) respondeu à IGAL no prazo de 10 dias que lhe foi imposto. E, porque considera estar a ser vítima de "mentiras e difamações graves", feitas "sob a capa do anonimato", a 20 deste mês apresentou no Tribunal Judicial de Moimenta da Beira uma queixa-crime contra incertos.
"A mesma denúncia foi posta a circular na internet e está a ser enviada aos jornais. É um acto cobarde", reprova António Inácio, presidente da JFS.
O autarca alega ter informado a IGAL da sua disponibilidade para prestar todas as informações sobre as obras em curso. "Além disso, podem pedir esclarecimentos adicionais ao Ministério da Agricultura, através do IFADAP e da Autoridade Florestal Nacional (AFN), duas entidades que acompanham o projecto", acrescentou.
Na denúncia posta a circular, à qual o JN teve acesso, questiona-se onde é que a JFS, "sem receitas próprias", vai buscar 500 mil euros para a comparticipação que lhe cabe no projecto.
"É uma ignorância total. A reflorestação do baldio de Sernancelhe é toda a fundo perdido: metade do investimento é pago pelo FEOGA e a outra metade pelo orçamento do Estado", esclarece.
Enquanto os críticos questionam "onde estão a árvores?", António Inácio garante que já plantou mais de um milhão de espécies. "Se não as vêem, é porque são cegos", conclui.
