Milhares foram até à Câmara para conhecer a "certidão de nascimento" do Porto
Mais de mil pessoas foram até ao Salão Nobre da Câmara do Porto para visitar a exposição das cartas de Foral de 1286 e de 1517. Os pergaminhos impressionaram os visitantes, que apelam ao município para que mais peças históricas do arquivo sejam apresentadas no futuro.
"É um papel que tem 900 anos, vocês têm noção?". A brasileira Adriana Betine não conseguiu conter o entusiasmo enquanto visitava a exposição das cartas de Foral do Porto, na Câmara.
"No Porto, cada esquina tem uma história, e eu acho que são curiosidades que as pessoas precisam de gostar e querer saber", referiu.
Adriana trabalha na área jurídica, mas descreve as redes sociais como "um livro de memórias", onde partilha todo o conhecimento. Enquanto visitava a mostra dos pergaminhos na Câmara, fez mais uma dessas partilhas.
"Eu misturo um pouco o meu trabalho com as curiosidades sobre Porto e Portugal de um modo geral. A vida é história e eu faço o possível para que a minha vida também seja uma", expôs.
No ano passado, com a trasladação do coração de D. Pedro IV para o Brasil, Adriana admite que ficou "no lugar da frente para assistir ao momento": "Eu estive presente na assinatura que admitiu que o coração fosse para o Brasil para as comemorações dos 200 anos da independência. Senti que fiz parte e senti-me muito honrada".
"É a certidão de nascimento da cidade do Porto"
O portuense César Jesus já conhecia a leitura das duas cartas de foral expostas na Câmara. O homem, que é um utilizador assíduo das bibliotecas municipais e da Casa do Infante, aproveitou a mostra para ver os documentos históricos com os próprios olhos. "Tive curiosidade e vontade de os ver in loco. O foral manuelino é belíssimo, embora só tenhamos a perspetiva de uma página. O outro documento, o foral de D. Hugo, não é tão exuberante em termos de cor, de configuração e está deteriorado pelo tempo", disse o portuense.
Para César Jesus, o traslado de D. Hugo de 1286 poderá ser encarado como a "certidão de nascimento da cidade do Porto": "É o princípio daquilo que é o municipalismo na cidade, a autonomia, o modo de gerir o espaço público, de gerir a entrada e a saída de mercadorias, as relações entre as pessoas e com o bispo", explicou.
Apesar de sentir uma falta de acesso à informação na exposição e de uma distância muito grande entre os visualizadores e as cartas de foral, César Jesus manifesta a importância do município em recuperar mais peças do arquivo municipal, no sentido de dinamizar mais ações culturais.
"Há livros raros e documentos diversos sobre a história da cidade, que poderiam ter uma iniciativa semelhante a esta. Alguns desses livros têm um número de exemplares publicados muito escasso. Códices, livros que já vêm desde o tempo dos Visigodos, documentos como as assembleias municipais que se fizeram na cidade desde a Idade Média", exemplificou o homem.
"Aproveitamos tudo relacionado com a cultura"
"São lindos os documentos. O primeiro (referindo-se ao Foral do bispo D. Hugo) está extremamente bem conservado, apesar de ter algumas manchas, que o próprio tempo traz. O outro é muito bonito, muito colorido e está perfeito", disse Sílvia Forte.
A viver há quatro anos no Porto, Sílvia Forte congratula o município pela mostra dos pergaminhos históricos, e garante que os momentos culturais organizados na cidade ajudam na sua integração na cidade.
"Nós aproveitamos o máximo possível de tudo relacionado com a cultura, os costumes e as tradições que o Porto oferece. Ajuda a integrarmo-nos cada vez mais na vida do país que nos acolheu", referiu a brasileira.
