Movimento do Cercal denuncia problemas respiratórios por incêndio de duas semanas em fábrica

O incêndio durou quase duas semanas
Foto: Direitos Reservados
O movimento Juntos pelo Cercal, em Santiago do Cacém, denunciou a existência de problemas respiratórios na população da localidade devido ao incêndio que lavrou durante quase duas semanas num silo de uma fábrica de pellets e pede a sua relocalização ou uma mudança nos hábitos de produção - que diz prejudicar a população, a tranquilidade típica alentejana e o turismo.
A autarquia nega a existência de problemas respiratórios atestada pelo acompanhamento do delegado de saúde local e afirma que a fábrica vai continuar a laborar, mantendo os 50 postos de trabalho. Sobre a relocalização da fábrica, que funciona desde 2010, a autarquia diz não ser sua competência e que esta traz benefícios para a economia local.
Suse Gonçalves, membro do movimento Juntos pelo Cercal, afirma que uma semana antes da explosão que originou um incêndio num silo com toneladas de pellets, matéria prima de madeira altamente inflamável, que aconteceu em 21 de julho, já tinha denunciado a existência de um foco de incêndio, mas que nada foi feito. "Esta não é a primeira vez que há um incêndio grave, no ano passado dois trabalhadores ficaram feridos, em 2020 houve outro incêndio e a fábrica não pode continuar a funcionar nestes moldes com claro prejuízo para todos ao seu redor", recordou.

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O movimento queixa-se que, após o incêndio, vários moradores do Cercal do Alentejo desenvolveram problemas respiratórios. "O incêndio foi apenas extinto na sexta-feira, dia 1 de agosto, no dia das festas locais. mas durante estas duas semanas houve um prejuízo grande para a saúde das pessoas, que tiveram que lidar com o fumo diário proveniente do incêndio, e para o turismo, porque não era possível passar férias com o fumo intenso", referiu a mesma fonte.
O Juntos pelo Cercal afirma ainda, em comunicado, que houve emissão de gases tóxicos, o que não é conhecido pela autarquia. De acordo com Álvaro Beijinha, presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, "no Cercal do Alentejo não houve reclamações devido à qualidade do ar, nem houve sinalização pelo delegado local de saúde de problemas respiratórios. A fábrica está localizada num parque industrial, a casa mais próxima está a 500 metros e não houve qualquer emissão de gases tóxicos". O autarca demonstrou preocupação com a manutenção de cerca de 50 postos de trabalho, mas diz ter recebido da fábrica a indicação de que não iam existir despedimentos.
O incêndio deflagrou perto das 18 horas do dia 21 de julho na fábrica de pellets na Zona Industrial Ligeira do Cercal do Alentejo. Houve uma propagação à área rural circundante, que os bombeiros conseguiram extinguir durante a noite. Na sexta-feira, dia 1 de agosto, o incêndio foi extinto.

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