
Mulher mantinha a "casa" em boas condições, apurou o JN
Foto: Marisa Rodrigues
Vítima de 40 anos morreu carbonizada numa antiga fábrica, em Faro, onde vivia há vários anos.
Uma mulher, doente oncológica com cerca de 40 anos, morreu carbonizada esta quarta-feira num incêndio, numa antiga fábrica, em Faro, onde pernoitava há vários anos. A vítima tinha "improvisado" uma casa naquele local para escapar à condição de sem-abrigo. Não tinha água nem luz elétrica e recebia ajuda alimentar de voluntários.
A vítima não era vista há alguns dias e só foi descoberta quando bombeiros, que passavam nas imediações, avistaram fumo vindo daquela zona. Após o incêndio ter sido extinto, foi encontrado o corpo carbonizado.
A PSP esteve no local, mas a Polícia Judiciária do Sul acabou por ser ativada para investigar um eventual cenário de crime, uma vez que a mulher estava fechada no interior da casa e aquela zona tem sido palco de vários incidentes nos últimos meses. Ao que o JN apurou, não foram detetados indícios evidentes de mão criminosa e a hipótese mais provável é que se tenha tratado de um acidente devido às condições precárias em que confecionava as refeições.
Uma das voluntárias que costumava ajudá-la, disse, ao JN, que a mulher, por falta de resposta habitacional, "instalou-se ali, ergueu portas e janelas e improvisou uma casa, que estava sempre bem cuidada".
Edifícios adjacentes, que pertencem ao complexo da fábrica abandonada, têm sinais evidentes de incêndios recentes. A zona é também utilizada por pessoas em condição de sem-abrigo e para consumo de produtos estupefacientes.
