
Segundo o INEM, as viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) mais próximas (Setúbal, Barreiro e Almada) encontravam-se ocupadas em ocorrências emergentes
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É mais uma vítima da alegada indisponibilidade de ambulâncias. Uma mulher morreu, na quarta-feira, após esperar 44 minutos por socorro na Quinta do Conde, em Sesimbra. A assistência foi prestada pelos Bombeiros Voluntários de Carcavelos. O caso foi revelado pela corporação nas redes sociais.
Uma mulher de 73 anos morreu na tarde de quarta-feira na Quinta do Conde, em Sesimbra, depois de esperar quase uma hora por uma ambulância. A única disponível e que acabou por ser acionada pertence aos bombeiros de Carcavelos, concelho de Cascais, a 35 quilómetros de distância e no outro lado da Ponte 25 de Abril.
Na nota publicada durante a tarde de quarta-feira, dia marcado pela notícia da morte de um homem de 78 anos, no Seixal, depois de esperar três horas pelo INEM, os bombeiros de Carcavelos anunciaram que foram acionados para uma situação de paragem cardiorrespiratória (PCR) em Sesimbra, no distrito de Setúbal. "Apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local. Em situações de PCR, cada minuto é determinante - por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência", indicaram.
O alerta para o INEM foi dado pelo filho da idosa pelas 13.43 horas, mas a ambulância de socorro chegou às 14.37 horas, proveniente da outra margem do Tejo. Nessa altura, também a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do INEM, também acorreu ao local, onde foi declarado o óbito da idosa.
À CNN Portugal, o comandante da corporação, Paulo Santos, revelou que o pedido de socorro chegou à corporação às 14 horas, tendo a ambulância saído para o local dois minutos depois. Porém, o tempo de viagem, de cerca de 40 minutos, foi fatal para socorrer a vítima. Segundo a mesma fonte, o envio de ambulâncias para a margem Sul é recorrente.
O INEM abriu uma auditoria interna aos procedimentos associados ao caso da mulher que morreu na Quinta do Conde. Em resposta à Lusa, o INEM lamentou o óbito e disse que, mais uma vez, faltaram meios. Segundo o INEM, as viaturas médicas de emergência e reanimação (VMER) mais próximas (Setúbal, Barreiro e Almada) encontravam-se ocupadas em ocorrências emergentes (P1).
INEM pede ambulâncias
Esta manhã, à entrada da reunião com a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), o presidente do INEM, Luís Cabral, reconheceu a situação crítica na Margem Sul, pedindo aos bombeiros que forneçam todas as ambulâncias disponíveis para prestar socorro à população. Tal como noticia o JN, nesta quinta-feira, os concelhos do Seixal e de Almada, na Margem Sul, têm apenas duas ambulâncias do INEM disponíveis para acorrer a mais de 300 mil pessoas.
Além das mortes em Sesimbra e no Seixal, um homem de 68 anos morreu, também na quarta-feira, em Tavira, no Algarve, depois de esperar por socorro mais de uma hora, disse a família à Lusa.


