
Participantes na Manifestação Nacional de Mulheres no Porto
Foto: Manuel Fernando Araújo / Lusa
Exigiu-se o fim das diferenças sociais e económicas.No Porto, milhares desfilaram desde a Praça da Batalha.
O Movimento Democrático de Mulheres (MDM) promoveu, este domingo, manifestações em 18 cidades, naquilo a que chamou "uma grande mobilização coletiva pela dignidade e igualdade de direitos", no Dia Internacional da Mulher.
No Porto, milhares de pessoas concentraram-se na Praça da Batalha, desfilando depois pela Rua de Santa Catarina, Rua de Fernandes Tomás e Avenida dos Aliados. Nos cartazes, pedia-se menos precariedade e o fim da desigualdade, na defesa de que, sem políticas feministas, sempre tende a agravar-se o fosso social e económico.

Sob o lema "Vida com dignidade. Direitos com igualdade", denunciaram-se ainda os baixos salários, a degradação dos serviços públicos, o combate à violência e a exigência de respostas rápidas para a reconstrução dos concelhos atingidos pelo mau tempo.
Diferença persiste
Manifestação Nacional de Mulheres no Porto (Fotos: Manuel Fernando Araújo / Lusa)
Embora as mulheres sejam a maioria da população portuguesa e estejam a ganhar representatividade na educação, política e empresas, persistem desigualdades no emprego, nos salários e nas condições de vida, segundo dados da Pordata, divulgados ontem, a propósito do Dia Internacional da Mulher.
Atualmente, as mulheres representam 58% dos diplomados do Ensino Superior. São mais de três quartos dos diplomados nas áreas da Educação, Saúde e Proteção Social, mais de 70% nas Ciências Sociais, Jornalismo e Informação e quase 60% em Ciências Naturais, Matemática e Estatística.
Em termos de condições de trabalho, cerca de 90% das mulheres com 25 ou mais anos trabalham a tempo inteiro, valor acima da média da União Europeia (72%), mas ainda inferior ao dos homens, que atinge 95%. Os salários das mulheres nos setores da indústria, construção e serviços são, em média, 7% inferiores aos dos homens.
Os dados indicam, igualmente, que as mulheres enfrentam maior risco de pobreza ou exclusão social em todas as faixas etárias, diferença que atinge sete pontos percentuais entre a população com 75 ou mais anos. Por outro lado, têm maior esperança média de vida: 85,4 anos, face a 79,8 dos homens.
Noutro estudo, divulgado ontem pelo CoLABOR, as conclusões são as mesmas: "Apesar do aumento significativo das qualificações das mulheres nas últimas décadas e de uma participação no emprego próxima da paridade, persistem desigualdades, nomeadamente níveis mais elevados de subemprego e de sobrequalificação entre as mulheres, a sub-representação nos cargos de topo das organizações e diferenciais remuneratórios significativos".








