Município de Mértola continua sem resposta do Governo sobre campo de tiro da FAP

Mário Tomé diz que a câmara "continua sem receber qualquer comunicação oficial ou esclarecimento formal sobre a deslocalização do campo de tiro"
Foto: Direitos Reservados
A Câmara de Mértola continua sem qualquer informação sobre a eventual instalação de um campo de tiro no seu concelho, o que considera "grave".
O Campo de Tiro de Alcochete (CTA) é o único no país que permite treinos de tiro ar-chão com caças F-16 e a Força Aérea Portuguesa (FAP) não tem outra alternativa que não seja a de deslocá-lo para Mértola/Serpa.
A autarquia, liderada por Mário Tomé, explicou em comunicado que, apesar das diligências efetuadas desde novembro do ano passado, "continua sem receber qualquer comunicação oficial ou esclarecimento formal por parte do Governo sobre a deslocalização do campo de tiro".
Mário Tomé assegura que o município "mantém total disponibilidade para o diálogo construtivo e responsável, mas rejeita qualquer tentativa de impor decisões estruturantes para o concelho que possam ser nefastas para o território".
Os "primeiros passos" para mudar a infraestrutura para Vale no Poço, nos concelhos de Mértola e Serpa, a nordeste do Pulo do Lobo, na margem esquerda do Guadiana, aconteceram em novembro de 2007, quando os serviços técnicos dos dois municípios alentejanos foram visitados por elementos ligados à estrutura militar para uma eventual instalação do Campo Militar.
Na altura, os autarcas de Mértola e Serpa manifestaram-se contra a eventual instalação de um campo de tiro na serra comum aos dois concelhos para substituir o de Alcochete, alegando estar previsto um projeto turístico para a zona. Fonte da Força Aérea Portuguesa (FAP) revelou, então, que, "a zona de Mértola, pelas características do terreno e baixa densidade demográfica, poderia ser uma "alternativa a estudar".
A 7 de dezembro do ano passado, o JN revelava que a FAP "não tinha outra alternativa" que não fosse Mértola como possível destino para deslocalizar o seu campo de tiro, desde que, em 22 de novembro de 2007, a situação começou a ser estudada. Na altura, fonte do gabinete do então Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General Cartaxo Alves, respondeu que, independentemente da solução tomada, a Força Aérea seria sempre, como noutras circunstâncias, parte da mesma.
No entanto, de acordo com fontes militares, desde 2017, quando se colocou a opção Alcochete para o novo aeroporto, a hipótese de Mértola foi ponderada e considerada mais vantajosa.
Em novembro de 2024 era noticiado que já existia um memorando de entendimento para a saída da Força Aérea do Aeródromo de Trânsito n.º 1 (AT1), em Lisboa, e que o terreno na ligação dos concelhos de Mértola e Serpa era a única opção para o campo de tiro. Os últimos desenvolvimentos ocorreram em julho do ano passado quando, em Conselho de Ministros, o Governo determinou que a Força Aérea tinha que "apresentar, até 31 de dezembro de 2025, os estudos relativos à localização escolhida para o novo campo de tiro, devido à construção do aeroporto no de Alcochete".
