
Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens
São quase dois quilómetros de estrada que para muitos se assemelha a uma prova de obstáculos. Quem ali passa, na via de acesso ao nó da A7, Vermoim/Seide, a partir da EN206, em Famalicão, tenta contornar os buracos. O pior é que ninguém decide quem é responsável pela estrada e, enquanto o caso anda há quatro anos na justiça, nada é feito.
"Ando aos ziguezagues, é a forma de conseguir contornar os buracos", diz Sérgio Araújo, cuja profissão o obriga a percorrer a via várias vezes por semana. "Dantes ainda os tapavam para se poder circular, agora nem isso", atira. Além do piso degradado e dos buracos cada vez mais profundos, a sinalização horizontal (e vertical) desapareceu e não há iluminação, à exceção de duas placas: "Atenção: estrada em mau estado".
As queixas são muitas e a estrada parece não pertencer a ninguém. A Câmara de Famalicão intentou, em 2015, um processo em tribunal para definir quem é o dono da via, mas o processo ainda não teve desfecho.
Trata-se de uma via muito movimentada e as estimativas de 2014 apontavam para 4000 veículos por dia a circular ali. "É um acesso fundamental, e não só à autoestrada", diz Miguel Gomes, que trabalha numa das empresas ali instaladas. "Não percebo como é que uma estrada destas pode continuar assim, já devia ter tido obras há muito", continuou. "O que vale é que a via é larga e vão-se evitando os acidentes quando nos desviamos dos buracos", nota.
Alguns automobilistas dizem que a Autarquia deveria pelo menos tapar os buracos. Mas a Câmara afirma que se alguma vez ali interveio, não o deveria ter feito, já que não é uma via municipal. "Não foi a Câmara que construiu a estrada nem ninguém transferiu a sua gestão", afirmou o presidente, Paulo Cunha, acrescentando que não tem competências para realizar obras na via.
regras diferentes
Paulo Cunha alija as responsabilidades, empurrando-as para a Ascendi e a Infraestruturas de Portugal e acrescenta que a via é um acesso à A7 ao qual se aplicam as mesmas regras dos outros acessos. "O que me faz confusão é que a Ascendi repara a A7 e os acessos, exceto este", afirmou. "Se a Ascendi não está a cumprir o contrato de concessão, devem acionar-se os mecanismos para que se cumpra", concluiu.
O JN questionou a Ascendi, que adiantou que qualquer "informação sobre o assunto" deve ser prestada "pelas entidades públicas envolvidas, designadamente, Câmara de Famalicão e/ou a Infraestruturas de Portugal".
A IP afirma que a estrada "integra o contrato de concessão Norte, concessionado pelo Estado à Ascendi, sendo o Instituto da Mobilidade e dos Transportes a entidade responsável pela gestão do contrato de concessão em causa. O JN tentou sem sucesso obter esclarecimentos do IMT.
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