
O templo é ladeado por jardins de usufruto público, cuidados diariamente
Paulo Spranger/Global Imagens
O primeiro templo mórmon construído em Portugal é hoje inaugurado oficialmente em Lisboa. A obra - com 41 metros de altura, desde a base até à estátua do anjo Moroni, num pináculo folheado a ouro -, fecha agora, e para sempre, ao público que, livremente, pôde visitar toda a sua imponência nos últimos 15 dias de agosto. De hoje em diante, apenas os fiéis com cartão de recomendação entram.
Quem lá entrou ficará, certamente, com a memória de um ambiente de luxo que remete para um hotel de cinco estrelas, onde nada ficou ao acaso. Os mármores da Turquia, as alcatifas, os tapetes de lã, os vitrais com padrões gravados com folha dourada, os lustres com milhares de peças da Swarovski, uma pia batismal assente em 12 bois de bronze, levanta, inevitavelmente, a questão do custo. Mas ninguém ali revela quanto se investiu no templo.
"É o edifício mais importante da nossa igreja e a qualidade tem de ser a mais elevada possível, porque é o local mais adorado pelos fiéis", justificou Paulo Adriano, diretor nacional de comunicação, acrescentando que não revelará quanto custou a construção, porque "a igreja não quer centrar-se na questão do dinheiro".
Já Joaquim Moreira, responsável máximo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, avançou que o espaço vai servir cerca de 45 mil fiéis e que "foi todo construído com os fundos das doações", ou seja, "não há quaisquer ajudas estatais".
Igreja vive do dízimo
Joaquim Moreira explicou depois que "a igreja vive do facto de os fiéis doarem uma décima parte dos seus rendimentos anuais" e que isso "permite toda a independência".
"A minha doação de 10% é menor do que aquilo que eu gastaria se fumasse, bebesse ou tomasse café", argumenta. E é essa verba garantida que permite que tudo seja "o mais perfeito possível", como se ao entrar ali, se entrasse já numa espécie de ambiente celestial.
O templo fica numa das ruas principais do Parque das Nações, à frente do Mercado de Moscavide, e faz parte de um conjunto de dois edifícios - o próprio templo e uma capela - e largos jardins de usufruto público, arranjados diariamente pelos voluntários da igreja. Não se vê uma flor murcha ou um papel no chão.
O complexo esteve quatro anos em construção e, finalmente, "os crentes já não terão de ir à Alemanha ou ao Reino Unido para casarem", frisou Paulo Adriano. É que apesar de a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias ter mais de cem capelas disseminadas pelo país - onde têm lugar as reuniões de domingo e os batizados - é apenas no templo que podem ser celebrados os casamentos, válidos até após a morte; e o batismo vicário pelos mortos.
Salvação após a morte
Os mórmones - que acreditam em Cristo ressuscitado com um corpo físico - entendem que as almas se salvam apenas quando batizadas e que essa salvação pode acontecer até depois da morte.
"Um familiar vestido de branco entra na pia e é batizado em nome do seu antepassado", explica Paulo Adriano. Não é por acaso que aquela é uma das salas do templo mais sumptuosas.
Curiosidades
Fundação
A igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi fundada nos Estados Unidos da América no final do século XIX por Joseph Smith, que afirmava que Deus e Jesus o solicitaram para criar uma nova igreja. Atualmente, tem 17 milhões de fiéis e 165 templos a funcionar em todo o Mundo.
Torre do Tombo
Há 40 anos que os mórmones estão na Torre do Tombo a digitalizar documentos. A parceria já permitiu colocar online mais de 30 milhões de assentos de nascimento, casamento e óbito, do século XVI ao XX . Esse facto já deu origem a várias denúncias sobre a proteção de dados.
Quanto custou o templo?
Nós não dizemos quanto custou o templo, porque não nos centramos no dinheiro, mas posso dizer que é o resultado das doações dos crentes, sem quaisquer apoios estatais. Prefiro revelar, já agora - e também nunca nos vangloriamos muito disso - que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem alocados projetos de ajuda humanitária 2,3 milhares de milhões de dólares.
